quinta-feira, 18 de agosto de 2016

“É hora de buscar alternativas de mudança”

“É hora de buscar alternativas de mudança”

O presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria, Antônio Geraldo da Silva, diz que momentos de crise como o de hoje no Brasil são a hora certa para sair da zona de conforto, sem nunca deixar de acreditar no próprio potencial


Antônio Geraldo da Silva está à frente de um movimento contra o preconceito em relação às doenças psiquiátricas
O psiquiatra mineiro Antonio Geraldo da Silva está à frente de uma empreitada de grande porte. Como presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria, comanda uma campanha para acabar com o preconceito em relação a quem possui qualquer doença mental. Isso inclui o próprio paciente, que muitas vezes sente vergonha de sua condição e deixa de buscar ajuda em razão disso. Aos 52 anos, ele já se cansou de ver pessoas com depressão, ansiedade ou outros transtornos psiquiátricos perderem o emprego, namorados, serem chamadas de fracas ou preguiçosas. “É preciso acabar com isso de uma vez”, diz. “A população tem que saber que essas doenças existem e que podem ser tratadas.”
Habituado a acompanhar, de dentro de seu consultório, como andam o humor e as emoções dos brasileiros, o psiquiatra diz que hoje a maioria está em compasso de espera, na expectativa de tempos melhores. Nesta entrevista à ISTOÉ, diz que a melhor forma de atravessar a crise sem adoecer mentalmente é continuar planejando o futuro, dividir as dificuldades com a família e não deixar de acreditar no próprio potencial. Como? Uma das maneiras é se inspirar nas histórias de superação dos heróis olímpicos que estão emocionando o mundo.
ISTOÉ – No auge da crise política, houve um aumento no número de pessoas que buscavam auxílio para lidar com o estresse, a depressão e a ansiedade. Isso mudou após o afastamento da presidente Dilma Roussef?
Antonio Geraldo da Silva – Ainda recebemos muita gente com queixas nesse sentido, que estão sem emprego e passando por dificuldades. Mas houve uma mudança de humor perceptível depois do afastamento. Muitas pessoas estão com a expectativa de que as coisas vão mudar. A maioria está em compasso de espera, torcendo para que tudo se resolva logo.
ISTOÉ – Como manter o equilíbrio emocional nesse momento?
Silva – Temos que fazer do limão uma limonada.  As pessoas não podem entrar em desespero. É hora de buscar alternativas de mudança, reavaliar o que está fazendo no trabalho, por exemplo, o que pode melhorar seu desempenho, sair da zona de confronto. O importante é identificar o que o aflige e fazer o enfrentamento para se proteger. Se é o medo de perder o emprego, a pessoa deve ver o que pode fazer para se precaver. Entre outras coisas, diminuir desde já os gastos do dia a dia.
ISTOÉ – Muitas pessoas perderam o emprego e têm dificuldades para lidar com o golpe na autoestima que isso provoca. O que fazer para recuperar a confiança em si mesmo?
Silva – De fato, o que estamos vendo é que existem os que estão desempregados porque não apresentaram qualidade de trabalho, mas também aqueles que a empresa sabia que eram bons, mas não tinha mais como pagá-los. Recentemente, em minhas viagens pelo país, encontrei profissionais pós-graduados trabalhando como motoristas.
ISTOÉ – O que dizer a pessoas que estão nessa situação?
Silva – Eles devem continuar buscando perspectivas, planejar um futuro diferente. Como me contou um desses profissionais que hoje trabalha como motorista. Ele está fazendo cursos à distância de graça para aprender outro ofício. É preciso continuar acreditando no seu potencial. O apoio familiar também é fundamental. Nessa hora de dificuldade, deve-se chamar a família e contar a verdade, expor o que está acontecendo. Não se pode mentir e fazer de conta que a vida continua a mesma. Isso é importante para que a família não adoeça.
ISTOÉ – Sediar as Olimpíadas pode ter que tipo de efeito para o brasileiro?
Silva – Positivo. As histórias de superação servem de exemplo para todos nós. O ginasta Diego Hypolito passou por momentos difíceis, teve uma depressão e suplantou tudo isso. O nadador Michael Phelps aparece cheio de marcas de ventosas, usadas para diminuir as dores. Ele não é esse campeão de graça. Vemos a jogadora Marta vencendo seus limites, dando o sangue. Esse tipo de inspiração é preciosa. Não podemos focar apenas nas desgraças.
ISTOÉ – No próximo mês, a Associação realizará o ‘Setembro amarelo’. O que pretende a campanha?
Silva – O foco é a prevenção do suicídio. Sabemos que 100% dos que o cometeram tinham algum transtorno mental tratável. Poderíamos salvar essas vidas se as pessoas tivessem acesso ao sistema público de saúde e se falássemos mais sobre as doenças mentais. É uma campanha de valorização da vida.
ISTOÉ – Quais os obstáculos que ainda existem para que enfermidades como a depressão e a ansiedade, muito comuns hoje, sejam tratadas corretamente?
Silva – O grande problema continua sendo o alto preconceito, que persiste. Ele existe na família, no trabalho, no próprio paciente. A doença mental ainda é vista como fraqueza, falta de caráter, falta de interesse para cuidar de si mesmo. É inacreditável, mas existe gente que até hoje afirma que enfermidade mental não existe. É preciso acabar com isso.
ISTOÉ – De que forma?
Silva – Mobilizando a sociedade, como por exemplo divulgando depoimentos de pessoas famosas que sofrem ou sofreram de alguma doença mental. A população tem que saber que essas enfermidades existem.
ISTOÉ – Mas muitos pacientes enfrentam preconceito inclusive de médicos.
Silva – É verdade. Percebemos isso muito frequentemente nos colegas. Por isso, estamos sendo presentes em reuniões, congressos de outras especialidades porque infelizmente alguns profissionais não consideram os sintomas por não terem conhecimento de que se tratam de doenças e que podem levar à morte. Muitas pessoas que se suicidaram foram antes ao médico, que teve a oportunidade de perguntar, investigar. Não se pode desvalorizar essas doenças. Apoiamos um projeto de lei que criminaliza a psicofobia, que é o preconceito contra os portadores de deficiências e de patologias mentais.
ISTOÉ – Como está o andamento deste projeto?
Silva – Já passou pelo Senado e agora está na Câmara dos Deputados. Temos 46 milhões de pessoas no país com patologias mentais. Sofrem preconceito de todo lado. Não conseguem emprego, o pai não deixa a filha namorar com alguém que tem alguma das doenças. Até nós, psiquiatras, somos vítimas. Dizem que somos médicos de doidos. O preconceito é tão grande que foram se criando entraves até na assistência pública.
ISTOÉ – Que tipo de entrave?
Silva – Não temos um remédio novo contra a depressão na lista dos medicamentos oferecidos pelo governo desde 1986. Não há um psicotrópico na farmácia popular. As emergências psiquiátricas são poucas. Na Coordenação de Saúde Mental do Ministério da Saúde há mais de sessenta pessoas. Há astrólogo, advogado, geneticista. Mas não tem um psiquiatra. Há trinta mil psicólogos trabalhando para o Ministério. Nunca consegui encontrar um.
ISTOÉ – Como explicar críticas de diversos especialistas de que hoje existe um excesso de diagnóstico de doenças mentais e de prescrição de remédios, muitas vezes desnecessários?
Silva – Infelizmente muito colega médico ainda comete falhas na prescrição de medicação psicotrópica e tem muita gente que se auto-medica. Consegue comprar essas medicações sem receita, como é obrigatório. E também observamos a prescrição feita por profissionais totalmente inabilitados para fazer isso, como farmacêuticos. Temos uma bagunça na área que precisa ser organizada.
ISTOÉ – Um dos maiores problemas está no diagnóstico de doenças em crianças.
Silva – Temos hoje no Brasil menos de trezentos especialistas em psiquiatria da infância e adolescência. Portanto, há muitos por aí que não têm formação psiquiátrica e fazem diagnóstico por questionário. Nós sabemos, por exemplo, que o diagnóstico do Transtorno de Hiperatividade e Déficit de Atenção não pode ser feito com base em respostas a uma lista de perguntas. É preciso colher a história de vida, o contexto familiar, a inserção da criança no meio social.
ISTOÉ – E quando dar o remédio nos casos de diagnóstico positivo?

Silva – Primeiro é preciso começar com psicoterapia, com trabalho de  mudança de comportamento. Também deve-se ajudar a família junto com a criança, conversar com a escola de forma a auxiliar a instituição a levar o conhecimento até aquele aluno. Colocá-lo para sentar na frente, por exemplo, dar mais tempo para que ele faça os exercícios, a prova. Quando esses recursos não funcionarem, aí sim se entra com a medicação.
Fonte: Istoé  http://istoe.com.br/“e-hora-de-buscar-alternativas-de-mudanca”/

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Conheça a cartilha para combater o suicídio

terça-feira, 16 de agosto de 2016

Quando o expediente compromete a saúde.

Quando o expediente compromete a saúde.


A busca incessante por resultados, a inquietação para o cumprimento de prazos e o estresse causado pelas horas gastas no trânsito na ida e na volta ao trabalho fazem parte da rotina da maioria dos profissionais. O que poucos sabem – ou fingem não saber – é que tais fatores podem desencadear ou agravar um transtorno mental, como a depressão. Nas estatísticas globais, a doença aparece entre as três maiores causas de afastamento do trabalho.
Essa triste realidade chamou a atenção do Ministério da Saúde, que, pela primeira vez, recorreu ao Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística para investigar a ocorrência da depressão no meio da população ocupada. O levantamento, realizado entre pessoas com 18 anos ou mais de idade, mostra que 6,2% dos indivíduos empregados sofrem com a doença depressiva.
A constatação só reforça a nossa preocupação com a saúde mental do trabalhador. * Na maioria das vezes, esses profissionais, cada vez mais cobrados em suas funções, acabam não enxergando o que uma rotina estressante pode causar à sua saúde a médio e longo prazos. Mais comuns do que se imagina no ambiente profissional, os transtornos mentais despontam como a terceira causa de afastamento do trabalho, atrás apenas das lesões traumáticas e dos distúrbios osteomusculares.
Para se ter ideia, em 2015, o Instituto Nacional Social (INSS) concedeu mais de 63 mil * benefícios para profissionais diagnosticados com algum tipo de transtorno mental. Na Classificação Internacional de Doenças, em que o INSS se baseia, a depressão encabeça a lista de doenças mentais que mais afastam os funcionários de seus empregos. Foram cerca de 27 mil casos computados. Em segundo, com mais de 16 mil ocorrências, estão os transtornos mentais e comportamentais devido ao uso de múltiplas drogas. Na sequência, vêm os afastamentos por transtornos mentais decorrentes do uso de álcool, com mais de 5 mil casos, e aqueles causados pelo uso da cocaína, que ultrapassam 2 mil.
O que percebemos com esse cenário é que muitas pessoas sofrem em silêncio. Escondem fobias, depressão, transtornos de ansiedade e, pior, não procuram ajuda. Por negligência ou até mesmo por medo de serem julgadas. Tudo isso, é claro, prejudica o desempenho profissional e, consequentemente, piora ainda mais a situação. Vale ressaltar que mesmo os indivíduos que quebram a barreira do preconceito e buscam ajuda especializada envergonham-se do seu diagnóstico por temer estigmas descabidos, como de louco, acomodado, mentiroso. Precisamos mudar essa realidade.
O agravamento dos transtornos mentais em decorrência de pressões no trabalho, do temor do desemprego e da crise financeira podem levar o trabalhador a situações críticas, como o suicídio. Nesse sentido, o Estado precisa investir em políticas de saúde mental fundamentada em diretrizes científicas e não, em bases ideológicas vazias.
A ausência de prevenção adequada tem consequência não somente nos trabalhadores e em suas famílias, mas também na sociedade devido ao enorme custo gerado, particularmente, no que diz respeito à perda de produtividade e à sobrecarga dos sistemas de seguridade social. A Organização Internacional do Trabalho estima que os acidentes de trabalho e as doenças profissionais resultam numa perda anual de 4% do PIB mundial – cerca de R$ 2,8 bilhões de dólares.
As empresas, por meio de gestores de pessoas treinadas, devem atentar para o comportamento dos seus funcionários. É importante saber distinguir, por exemplo, se uma pessoa está desmotivada por algum problema pontual que ocorreu no trabalho ou se é uma característica constante dela. O saber enxergar o outro precisa ser praticado. O médico do trabalho da empresa tem papel fundamental na saúde do empregado, pois é capaz de identificar precocemente sinais e sintomas de doença mental e encaminhar o trabalhador à avaliação especializada de um psiquiatra. Da mesma forma, programas de prevenção à violência no trabalho e à dependência química precisam fazer parte da rotina da saúde do quadro funcional de uma empresa.
É fundamental que toda pessoa diagnosticada com algum tipo de transtorno mental siga o tratamento corretamente e que o empregador acompanhe esse processo. Cuidar da saúde mental do trabalhador representa em todos os aspectos ganhos para o próprio colaborador, para quem o contrata e para a sociedade.
(*) Antônio Geraldo da Silva é Psiquiatra e presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), Rosylane Mercês Rocha é Diretora de Legislação da Associação Nacional de Medicina do Trabalho (ANAMT).
Fonte: Correio Braziliense, por Antônio Geraldo da Silva e Rosylane Mercês Rocha (*), 10.08.2016



segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Transtorno de Humor Bipolar - Fator Genético


sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Ricardo Boechat se afasta do trabalho por depressão: "É como se a pessoa morresse ficando viva"









O apresentador Ricardo Boechat revelou que sofre de depressão. Ele afirmou nesta quinta-feira (27) na rádio BandNews FM e também escreveu um texto em seu Facebook relatando que se afastou na última quarta-feira (19) de seu programa, após ter tido um "surto depressivo agudo".
— Sofri um colapso, um apagão aqui no estúdio, nada na minha cabeça fazia sentido, nenhum texto era compreensível, os pensamentos não fechavam e uma pressão insuportável dava a nítida sensação de que meu peito iria explodir. Uma coisa horrorosa. Fiquei completamente desnorteado, e achei melhor me refugiar no camarim sem fazer o programa à espera de socorro médico.
Após ser levado ao encontro de um médico, o apresentador contou que o especialista "foi categórico ao dizer que era depressão".
— Ele disse que os sintomas eram clássicos de um surto depressivo. Quem cai num quadro desses, perde qualquer condição de ficar ativo, de ter pensamentos simples. É como se a pessoa morresse ficando viva.
O apresentador também confidenciou que os médicos responsáveis por seu tratamento afirmaram que ele "esticou a corda demais".
— Fiz mais coisas que deveria fazer, em menos tempo do que seria razoável, fui além do limite que meu corpo permitia. Para prevenir a doença, precisa ficar atento a indicadores de estresse da nossa vida. A fadiga é o inimigo comum, recuperar as forças passa a ser sinal de sobrevivência. Essa é a grande lição que eu aprendi.
Boechat também afirmou que fez questão de contar a todos a sua doença, pois "esconder o problema e tratá-lo na clandestinidade dificulta o tratamento". Além disso, ele ressaltou que "ninguém pode achar que a depressão vai passar apenas por pensar coisas positivas". E, portanto, é necessário buscar ajuda.
— A depressão é muito mais que isso e muito mais séria. É uma aflição tão severa que restringe a capacidade de uma pessoa funcionar plenamente, um abismo mental tão profundo que ninguém pode achar que vai se safar apenas endireitando os ombros ou pensando coisas positivas. Não, minha gente, essa escuridão da mente e do estado de espírito é mais do que um simples desânimo. É um desequilíbrio da química cerebral, algo tão físico quanto uma fratura óssea, ou um tumor maligno.
Diagnóstico de depressão
O diagnóstico da depressão é feito por meio da análise de sintomas físicos e psíquicos. Os sintomas físicos mais comuns são perda ou ganho de peso, dores inexplicáveis no corpo, principalmente dor de cabeça, dificuldade para realização de tarefas cotidianas e insônia ou sonolência em excesso. Já os sintomas psíquicos são: desânimo intenso, cansaço, apatia, falta de vontade de fazer suas tarefas, falta de prazer, de alegria, choro fácil, sentimento de culpa, temperamento explosivo e irritabilidade, segundo explicou em entrevista recente ao R7 o psiquiatra Antônio Geraldo da Silva, presidente da ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria),

— É preciso deixar bem claro que só o médico pode fazer esse diagnóstico e, em algumas pessoas, ele pode apresentar outros sintomas. Não existe uma padronização ou uma lista para descobrir que o paciente está com depressão. Essa história de lista de sintomas é mais comum nos EUA, mas o diagnóstico é muito mais complexo do que isso.
No mundo, o número de pessoas que têm depressão ultrapassa os 350 milhões. No Brasil, cerca de 10% da população brasileira convive com esse mal e 15% terão a doença em algum momento da vida
FONTE: http://noticias.r7.com/saude/ricardo-boechat-se-afasta-do-trabalho-por-depressao-e-como-se-a-pessoa-morresse-ficando-viva-27082015

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

O que esconde a fumaça da maconha?

Clique na reportagem para ler.
Fonte: Jornal Estado de Minas


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