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terça-feira, 30 de maio de 2017

Livros

Antônio Geraldo da Silva

Psiquiatra. Especialista em Psiquiatria e em Psiquiatria Forense pela Associação
 Brasileira de Psiquiatria (ABP-AMB-CFM). 
Doutoramento em Bioética pela Universidade do Porto – CFM.
 Presidente da ABP. Professor de Psiquiatria do HUCF – Unimontes. Médico 
Psiquiatra da Secretaria de Saúde do Distrito Federal.
 Diretor Acadêmico do PROPSIQ.

Livros Publicados por Antônio Geraldo da Silva

Esquizofrenia

Esquizofrenia

Antonio Egidio Nardi; Antônio Geraldo da Silva; Colaboradores; João Quevedo;


Depressão

Depressão

Antônio Geraldo da Silva; João Quevedo;
Transtorno de Pânico

Transtorno de Pânico

Antonio Egidio Nardi; Antônio Geraldo da Silva; João Quevedo;

Transtorno de Ansiedade Social

Transtorno de Ansiedade Social

Antonio Egidio Nardi; Antônio Geraldo da Silva; João Quevedo



domingo, 30 de abril de 2017

“Os transtornos mentais são como qualquer outra doença”, diz psiquiatra sobre combate ao estigma

“Os transtornos mentais são como qualquer outra doença”, diz psiquiatra sobre combate ao estigma

Publicado por Cinthya Leite em Blog 

Temos um grave problema: a saúde pública brasileira sofreu um desmantelo. Foi com essa frase que o psiquiatra Antônio Geraldo da Silva, presidente eleito da Associação Psiquiátrica da América Latina, começou a opinar sobre a política nacional de saúde mental, em entrevista ontem à TV JC.
Para ele, o acesso a um atendimento psiquiátrico de qualidade praticamente não existe em alguns lugares do País. E lamentavelmente o preconceito contra as pessoas que convivem com transtorno mental, como depressão e esquizofrenia, ainda perdura, inclusive na rede pública de assistência à saúde.
“Precisamos acompanhar as pessoas sem quebrar a rede social da qual elas fazem parte. É preciso atendê-las no bairro onde vivem. O que é mais simples para isso? Colocar uma equipe de saúde mental (psicólogo, psiquiatra e assistente social) nos postos de saúde. Por que alimentar a psicofobia (atitudes discriminatórias contra pessoas com transtornos mentais) ao criar um serviço específico, que são os Caps (Centros de Atenção Psicossocial), para esse paciente?”, questiona Antônio Geraldo.

Fonte: http://blogs.ne10.uol.com.br/casasaudavel/2017/03/04/os-transtornos-mentais-sao-como-qualquer-outra-doenca-diz-psiquiatra-sobre-combate-ao-estigma/

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Esquizofrenia x Suicídio


quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Conheça os Livros!

Acompanhe a coleção de livros Teoria e Clinica, todos na área da saúde mental.


















Saiba mais:

https://loja.grupoa.com.br/autor/antonio-geraldo-da-silva.aspx

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Doenças mentais são as que mais afetam a qualidade de vida

SAÚDE

Doenças mentais são as que mais afetam a qualidade de vida

Estudo mundial conclui que pacientes com males psiquiátricos convivem com mais restrições nas atividades diárias

  • 15/09/2013, 00:04
  • DIEGO ANTONELLI
A qualidade de vida da população mundial é profundamente prejudicada pelas doenças mentais. Estudo publicado no final de agosto pela revista científica The Lancet revela que quase 23% dos anos vividos com algum tipo de incapacidade se devem a transtornos como ansiedade e depressão, e ao uso de drogas. Esses distúrbios superam doenças como aids, tuberculose, diabetes ou lesões provocados por acidentes.
Baseado em estatísticas de 187 países levantadas pelo relatório “Carga Global de Doenças”, divulgado em janeiro deste ano, o estudo chama a atenção para a necessidade de políticas públicas para se lidar com os problemas que atingem a mente – o mais comum deles é a depressão (veja infográfico ao lado).
Os autores apontam que há uma lacuna entre o número de pessoas que sofrem com esses transtornos e a reduzida oferta de serviços de saúde. A pesquisa ainda relata que historicamente os transtornos psiquiátricos não têm sido uma prioridade de saúde global.
No Brasil, a situação não é diferente. Segundo o Mi­­nistério da Saúde, a estrutura atual tem capacidade de realizar 40 milhões de procedimentos por ano. Porém, a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) estima que 46 milhões de pessoas sofram de algum distúrbio mental no país. Como o tratamento exige mais de uma consulta por ano, é possível afirmar que existem milhões de pessoas que não conseguem atendimento na rede pública de saúde.
O presidente da ABP, An­­tônio Geraldo da Silva, diz que o país convive com a ausência de um tratamento adequado aos portadores de transtornos mentais. “Faltam políticas públicas corretas. Onde eu levo uma pessoa que tentou suicídio? Não sei, pois não temos estrutura”, ressalta. Segundo ele, os Centros de Atenção Psicossociais (Caps) não são suficientes para tratar os pacientes. “Neles, os pacientes nem sempre têm condições de dar continuidade ao tratamento. As unidades básicas também não dão conta disso, já que não têm psiquiatras. Precisamos de ambulatórios específicos para atender pacientes com distúrbio mental. Não temos estrutura para internamento”, afirma Silva.
Rede de apoio
Hoje, o Brasil possui 33.454 leitos de internação psiquiátrica via SUS. Em 2005, segundo o banco de dados do Ministério da Saúde (Datasus), eram 46,5 mil. Foi naquele momento que teve início a política de evitar internações.
O presidente da Sociedade Paranaense de Psiquiatria (SPP), André Rotta, acredita que a melhor forma de organizar o atendimento em saúde mental é formar uma rede de apoio sem que uma estrutura, como hoje é o Caps, se sobressaia. “Faltam trabalhos bem estruturados que possam determinar a incidência das doenças psiquiátricas na população. Sem estes dados fica muito difícil organizar uma política de atendimento adequada para esses pacientes”, revela.
Terapia no Caps é contraponto às internações
Os Centros de Atenção Psicossocial (Caps) são considerados pelo poder público como a melhor alternativa para atender pessoas com transtornos mentais. Ao lado das unidades básicas de saúde, os Caps deveriam funcionar como centros de acompanhamento para as pessoas que sofrem de doenças, como depressão e distimia, e transtornos provocados por uso de drogas e álcool.
Esse formato de tratamento foi incorporado no Brasil com a Lei da Reforma Psiquiátrica, sancionada em 2001. Segundo a legislação, a internação deixou de ser a única via de atendimento ao paciente psiquiátrico para ser uma alternativa em casos de surto. “Existem doentes mentais graves que precisam de internação. Por isso não poderiam fechar leitos psiquiátricos. Será que resolveria o problema da ortopedia se os leitos ortopédicos fossem fechados?”, questiona o presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria, Antônio Geraldo da Silva.
O Ministério da Saúde informa que atualmente o acesso para o tratamento é igual para todos. Basta que o paciente compareça a uma unidade de saúde mais próxima para dar início ao tratamento. Atualmente, o Brasil conta com 2.004 Caps.
“Caso seja necessário, os Caps 24 horas possuem estrutura para curtas internações. Isso porque estudos comprovam que 90% dos pacientes em crise saem desse estado em aproximadamente cinco dias”, informa a assessoria de imprensa do Ministério. O órgão informa que o intervalo das consultas varia de acordo com a resposta ao tratamento de cada paciente.
Apoio
A rede de saúde mental, conforme o Ministério, pode ser constituída por vários dispositivos assistenciais. Essa rede conta com ações de saúde mental na atenção básica, os Caps, serviços residenciais terapêuticos, leitos em hospitais gerais e ambulatórios e deve funcionar de forma articulada.

INVESTIMENTO
Paraná amplia rede para suprir lacuna no atendimento
A psiquiatra Maristela da Costa Sousa, da Divisão de Saúde Mental da Secretaria de Saúde do Paraná, afirma que o estado já reconhece que há uma lacuna no atendimento à saúde mental. “Por isso, há uma ampliação no número de Caps e a capacitação constante dos profissionais que atendem essa área, especialmente nas unidades básicas”, salienta. No primeiro semestre de 2012, o estado possuía 94 Caps e hoje já são 105. “Implantamos uma rede de atendimento na saúde mental, incluindo a atenção básica, que é o local de atendimento mais próximo da comunidade. Nela, as pessoas fazem o acompanhamento da doença”, afirma. Maristela explica que, em caso de um portador de distúrbio ter algum surto psicótico, a recomendação é acionar as unidades de emergência, como o Samu, que, por sua vez, necessita encaminhar o paciente para ser avaliado e, caso seja necessário, internado em hospital apropriado.
2.374 leitos de internação psiquiátrica são disponibilizados hoje pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no Paraná. O número, segundo o banco de dados do Ministério da Saúde, é 33% menor que a quantidade existente em 2005. De acordo com a OMS, para uma assistência psiquiátrica adequada é necessário um leito psiquiátrico para cada mil habitantes. No Paraná, o índice é 0,22 leito por mil moradores.
2.004 Centros de Atenção Psicossocial (Caps)estão em funcionamento em todo o país hoje. Esse número vem aumentando gradativamente. No primeiro semestre de 2012, o Paraná possuía 94 Caps. Hoje são 105. Segundo o Ministério da Saúde, os centros são a principal alternativa de tratamento aos doentes de transtornos mentais. A internação é indicada apenas em casos de surto.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Problemas Mentais são os que mais afetam a vida da população...

terça-feira, 12 de abril de 2011

Tragédia de Realengo pode deixar traumas irreparáveis (VEJA.COM)

Tragédia de Realengo pode deixar traumas irreparáveis


Maioria dos adolescentes e professores deve se recuperar. Mas há o risco de desenvolver uma doença chamada transtorno de estresse pós-traumático

Aretha Yarak

Apoio de familiares, da comunidade e da sociedade são fundamentais para a recuperação das vítimas do massacre de Realengo

Apoio de familiares, da comunidade e da sociedade são fundamentais para a recuperação das vítimas do massacre de Realengo (Marcelo Sayão/EFE)

"Não force ninguém a falar, isso pode só piorar. O mais importante é mostrar apoio, solidariedade, deixar claro que a pessoa não está sozinha, que ela tem pares. Isso vale para a escola, para a sociedade e para a família”,

Dirce Perissinotti, psiquiatra e integrante do Programa de Atendimento às Vítimas de Violência e Stress da Unifesp

A violência que invadiu o bairro de Realengo pode deixar cicatrizes profundas. Aos adolescentes e funcionários que sobreviveram à chacina dos 12 alunos da Escola Municipal Tasso da Silveira, resta esperar que o tempo cure o trauma. Crises de insônia, irritabilidade, taquicardia, isolamento da realidade e reclusão social, por exemplo, são reações normais e esperadas nos primeiros dois meses após o acontecido. É a maneira que o cérebro encontra de processar a situação extrema pela qual passou.

Segundo psiquiatras ouvidos pelo site de VEJA, nos dois primeiros meses sofre-se muito com algo similar à fase de luto. É nesse período que a pessoa assimila o fato vivenciado, para melhor entendê-lo e, assim, poder se recuperar de maneira plena. “O trauma agudo é esperado em situações como essa. É normal que o a pessoa reaja, chorando muito, tendo pesadelos, dificuldade para comer ou mesmo se retraindo”, afirma Dirce Perissinotti, psiquiatra e integrante do Programa de Atendimento às Vítimas de Violência e Stress da Universidade Federal Paulista (Unifesp).

O cérebro humano, apesar da gravidade do episódio, é capaz de lidar com esse tipo de situação e reerguer-se sozinho. Por isso, os psiquiatras avisam: não adianta forçar o início de uma terapia ou de conversas sobre o assunto. A melhor ajuda é ser solidário e estar presente. “É importante que esses jovens sejam observados, que eles tenham um acompanhamento de pais e professores para que seja monitorado o desenrolar da recuperação”, diz Antonio Geraldo da Silva, presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria.

Se depois desses 60 dias, no entanto, os sintomas perdurarem, pode ser sinal de algo mais grave. Em muitos casos, pode indicar a presença de um problema que ganhou notoriedade em veteranos da Guerra do Vietnã e sobreviventes do Holocausto: o transtorno de estresse pós-traumático (TEPT). Problema característico de quando se vivencia um trauma muito grande, o TEPT possui características bastante definidas. É comum, por exemplo, casos de flashbacks recorrentes, nos quais a pessoa revive de maneira extrema o fato que presenciou; medos persistentes e incapacitadores de que o ocorrido venha a se repetir; e uma constância de sonhos e pesadelos. “Estima-se que cerca de 10% dos envolvidos evoluam para o transtorno de estresse pós-traumático. Uma vez que a doença esteja estabelecida e diagnosticada, não há cura”, diz Marcio Bernik, coordenador do Ambulatório de Ansiedade do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo.

Mas Frank Ochberg, psiquiatra e consultor do FBI (polícia federal americana), vai além. Segundo o médico, o desenrolar para o TEPT tem raízes mais profundas na formação pessoal e na genética de cada um. “Algumas crianças vêm de lares agressivos ou sofrem bullying, por exemplo. Tudo isso vai se somar à maneira como ela deve lidar com o que aconteceu”, diz o especialista, que coordenou as ações da escola de Columbine, nos Estados Unidos, após o massacre de 1999, em que 13 pessoas foram mortas e outras 25, feridas. Segundo ele, é preciso prestar atenção a adolescentes que já têm uma tendência a problemas psicológicos. Alguns, diz ele, já começam a manifestar nessa idade problemas de saúde mental, como esquizofrenia, psicoses maníaco-depressivas e transtornos bipolares. “Ao lado desses fatores, o que aconteceu na escola pode ganhar proporções enormes na vida da pessoa’, diz.

Volta às aulas – O retorno às atividade corriqueiras, incluído as aulas diárias na escola, é fundamental para a recuperação das pessoas que sobreviveram à tragédia. “É de extrema importância que a escola esteja preparada para receber os alunos de volta. Ela precisa viver o luto, talvez com uma missa, com simbolismos ou mesmo com momentos de silêncio em homenagem aos mortos e aos sobreviventes. Mas se o aluno demorar para voltar para a escola, talvez ele não volte nunca mais”, diz Bernik.

E, uma vez que a rotina esteja retomada, o melhor a fazer é dar espaço e tempo para que cada um se recupere no seu ritmo. “Não provoque conversa, não force ninguém a falar. Isso pode só piorar. O mais importante é mostrar apoio, solidariedade, deixar claro que a pessoa não está sozinha, que ela tem pares. Isso vale para a escola, para a sociedade e para a família”, diz Dirce Perissinotti.

A escola, ao lado da família, detém um papel fundamental no período de recuperação dos envolvidos. Segundo Frank Orchberg, a grande lição que os Estados Unidos tiraram do massacre de Columbine recai sobre o diálogo – ou a falta dele. E isso significa que a lacuna entre as duas gerações deve ser vencida, para que alunos, professores, terapeutas, administradores e seguranças escolares possam conversar entre si e, enfim, se conhecer. “É o jovem quem sabe efetivamente o que está acontecendo, quem sabe identificar qual o aluno que de fato pode representar um problema”, diz Orchberg. Para o especialista, é o diálogo contínuo, seja ele formal ou informal, que pode evitar que novas tragédias voltem a acontecer – nos Estados Unidos, no Brasil ou em qualquer outra cultura.

FONTE: http://veja.abril.com.br/noticia/saude/tragedia-de-realengo-pode-deixar-traumas-irreparaveis

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Atirador nem sempre é doente, diz psiquiatra. Leia mais clincando nos links.

Destak

São Paulo
Atirador vivia isolado e acessava sites radicais
Em carta, criminoso pede perdão a Deus e pede enterro segundo ritual semelhante ao de muçulmanos e judeus
http://www.destakjornal.com.br/readContent.aspx?id=14,93290

O Globo
Rio de Janeiro
Presidente da ABP participa de conversa com leitores do jornal O Globo
http://www.livestream.com/jornaloglobo/video?clipId=pla_354d6ee4-c93c-41f4-b519-66ef32fda5e1&utm_source=lslibrary&utm_medium=ui-thumb



Folha de São Paulo
São Paulo
Atirador nem sempre é doente, diz psiquiatra
http://www.abpbrasil.org.br/2011/medicos/clipping/exibClipping/?clipping=13583

O Globo
Rio de Janeiro
Carta de atirador de escola de Realengo diz que impuros não poderão tocar seu corpo sem luvas
http://oglobo.globo.com/rio/mat/2011/04/07/carta-de-atirador-de-escola-de-realengo-diz-que-impuros-nao-poderao-tocar-seu-corpo-sem-luvas-924184050.asp

Diario de Pernambuco
Pernambuco
Massacre em Realengo // Uma carta perturbadora
Mensagem de atirador deixada no local do crime mostra que ele queria se diferenciar
http://www.diariodepernambuco.com.br/2011/04/08/brasil2_0.asp

Diário de São Paulo
As garotas foram o principal alvo do atirador. Testemunhas contam que ele mirava nos braços e nas pe
'Matava as meninas com um tiro na cabeça'
As garotas foram o principal alvo do atirador. Testemunhas contam que ele mirava nos braços e nas pernas dos meninos, como uma forma de afastá-los e apenas para machucar
http://www.diariosp.com.br/_conteudo/2011/04/55096-matava+as+meninas+com+um+tiro+na+cabeca.html


Correio Braziliense
Brasília
Sinais de desequilíbrio
Carta de Wellington retrata um autor perturbado e avesso aos "impuros"
http://www.abpbrasil.org.br/2011/medicos/clipping/exibClipping/?clipping=13587

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Uma Mente Brilhante

Saiba um pouco sobre o norte-americano John Nash ganhou o Prêmio Nobel de matématica em 1994.





O verdadeiro John Forbes Nash ao lado do Dr Antônio Geraldo no Congresso Americano de Psiquiatria em SAN DIEGO-USA.

Uma Mente Brilhante

Por Cláudio Leyria

"Uma Mente Brilhante" (A Beautiful Mind, EUA, 2001) retrata a biografia do matemático norte-americano John Forbes Nash, que criou uma teoria sobre jogos que depois foi aplicada à economia e à política, mudando a estrutura da vida social. Por conta desta contribuição, Nash ganhou o Prêmio Nobel em 1994.

Nash é gênio mas aos 31 anos começou a ser acometido pela esquizofrenia, afastando-se do mundo acadêmico e do mundo da racionalidade durante 30 dramáticos anos em que a sua vida profissional e pessoal se desmoronou quase por completo.

A esquizofrenia se caracteriza principalmente por alteração das funções de percepção, pensamento, afeto e conduta.

No caso do filme, o personagem apresentava alucinações visuais. Na vida real, Nash sofria de alucinações auditivas. No pensamento, ele tinha idéias delirantes, que consistem em falsas crenças, não corrigidas pela confrontação com a realidade, que tendem a se difundir e ir tomando conta da mente. No caso de Nash, as idéias delirantes eram de perseguição. Havia, no seu entendimento, uma conspiração e ele estava empenhado em descobri-la.

O grande mérito do diretor Ron Howard foi colocar o espectador dentro da mente de Nash. O filme trata a esquizofrenia do ponto de vista do esquizofrênico. Todas as visões que ele tem e que parecem ser perfeitamente reais são inicialmente apresentadas como fatos plausíveis. Assim, é possível entender o drama do personagem porque o roteiro faz o espectador acreditar nas suas visões. Estas visões são basicamente formadas por três personagens imaginários com que Nash "convive".

Quando está no auge de seu problema psiquiátrico, Nash, interpretado por Russel Crowe, acredita estar trabalhando para o serviço de inteligência contra os comunistas. Assim, nada mais parece ter importância, nem a família, nem a continuidade de sua vida acadêmica. Tudo o que ele quer é descobrir uma bomba que vai explodir em qualquer lugar os EUA.

Nash acredita que com sua inteligência poderia decifrar códigos publicados em revistas (esta seria a forma dos terroristas se comunicarem).

Curiosamente, o filme dá dicas de que os personagens que Nash vê são ilusões. Há uma cena em que uma menina, fruto da imaginação de Nash, corre pelo gramado da universidade de Princeton. Mas a menina passa por um bando de pombos e as aves não voam quando ela passa por eles.

E os três personagens que Nash vê são na verdade sua personalidade dividida, cada um tendo um aspecto, que somados dá a personalidade do matemático.

O filme prega uma campanha contra o preconceito, mostrando que pessoas que parecem ser meros loucos, merecem muito respeito, porque, quaisquer que sejam as maneiras de se comportar, ainda podem contribuir muito à sociedade.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Esquizofrênicos conquistam autonomia

Trabalhar, passear, viajar, namorar. Pode parecer impossível que uma pessoa portadora de um transtorno mental possa fazer todas estas atividades. Mas não é. Com os avanços nos remédios e tratamentos, é possível reintegrá-los na sociedade. É isto que está acontecendo com os pacientes com esquizofrenia, apesar de ser uma doença crônica. O motorista Renato (nome fictício), de 31 anos, leva uma vida simplesmente normal. Trabalha, mora sozinho, namora há cinco anos e visita a família constantemente. Vivendo dessa maneira, ninguém deduz que ele tem esquizofrenia.
A doença foi descoberta aos 15 anos, quando Renato pensava que estava conversando com uma vizinha por telepatia. Em um primeiro momento, ele foi se consultar com um neurocirurgião e parou até por uma parapsicóloga. Mas o diagnóstico feito por um médico psiquiatra foi esquizofrenia. “Não deixei de viver por causa da doença. Contei com o apoio da minha família. A minha namorada sabe disso e me acompanha sempre que é necessário. O apoio e fé em Deus são muito importantes”, afirma Renato. Devido a este apoio, ele aderiu ao tratamento. A permanência de pessoas como Renato na sociedade é um dos grandes desafios quando se fala de esquizofrenia, pois ainda há um estigma muito forte sobre a doença mental. Tanto que Renato não quis ser identificado nesta reportagem.
Os tratamentos, os remédios e o próprio conhecimento sobre a doença já avançaram muito, mas o preconceito exerce uma pressão enorme na sociedade. “A doença é crônica, mas não é como a gente achava antigamente, que tinha pouca coisa a fazer. O maior conhecimento sobre a esquizofrenia, aliado à modernidade dos medicamentos e dos tratamentos, permite que os esquizofrênicos sejam ativos na sociedade”, explica o médico psiquiatra Dagoberto Hungria Requião, diretor geral do Hospital Psiquiátrico Nossa Senhora da Luz, em Curitiba.
De acordo com ele, o estigma só será vencido com a informação. É preciso discutir todos os aspectos da doença com a família e o próprio paciente. Alguns profissionais ainda relutam em dizer para o doente a sua condição. “Mas a partir do momento que o paciente e a família estão bem informadas, a aceitação é maior e a adesão ao tratamento também”, indica Requião.
O hospital já não é mais o destino certo para os esquizofrênicos. Em muitas situações, as internações já são dispensadas. “Antes, o tempo de internação era enorme, superior a um ano. Hoje, os casos mais necessitados são tratados em até 40 dias no hospital. Depois, os pacientes voltam para a família”, conta Requião.
Ainda existem casos de pacientes internados há anos em hospitais. Aos poucos, eles estão sendo levados para o convívio em sociedade. No Hospital Psiquiátrico Nossa Senhora da Luz, os tratamentos já começam a trabalhar a ressocialização ainda na fase de internamento. Os pacientes são acompanhados por uma equipe multidisciplinar e isso ajuda-os a restabelecer as relações interpessoais.
Um dos projetos para a reintegração destes pacientes, muitos deles abandonados pela família, é a residência terapêutica. Em parceria com a Prefeitura de Curitiba, o hospital aluga um imóvel para os pacientes, que escolhem tudo o que vão colocar dentro da casa. Cada residência abriga entre seis e oito moradores. O programa, iniciado há três anos, conta com cinco residências. “São pacientes que não deveriam mais estar em hospitais. Alguns nem tomam mais medicamentos”, considera Requião.
Um ano antes de se mudarem, os pacientes são treinados para resgatar a cidadania, pois ficaram décadas dentro do hospital. Eles aprendem a se locomover pela cidade, saem para fazer compras no supermercado, por exemplo. Isto permite a autonomia dos esquizofrênicos. “O que se gastava na diária destes pacientes nos hospitais, se investe na manutenção das residências”, revela Requião.
Transtorno afeta 1% da população mundial
A esquizofrenia é um dos transtornos mais graves na psiquiatria, e afeta 1% da população. A doença normalmente aparece no final da adolescência e início da fase adulta. Os pais devem ficar em alerta quando os filhos têm queda no desempenho escolar, evitam sair de casa e sempre estão desconfiados. Os sintomas da esquizofrenia são divididos em positivos, negativos e cognitivos, segundo o médico psiquiatra Salmo Zugman, coordenador do laboratório de esquizofrenia do Hospital de Clínicas (HC). Para entender um pouco sobre a doença, basta assistir ao filme Uma mente brilhante.
Os sintomas positivos chamam mais atenção dos familiares e amigos. São caracterizados por alucinações auditivas, visuais, táteis e olfativas. A doença mexe com o senso e a percepção da pessoa. Informações que surgem no interior do paciente são encaradas como realidade. Os sintomas positivos ainda abrangem os delírios e o sentimento de perseguição.
Os sintomas negativos são menos chamativos e podem ser confundidos com depressão ou efeitos de remédios. Apesar disso, continuam sendo sintomas graves, que trazem muitos prejuízos para os esquizofrênicos. Os sintomas negativos compreendem a diminuição da integração social, a falta de vontade, apatia, empobrecimento mental, raciocínios superficiais. “Os sintomas são independentes um do outro. Às vezes, um tipo de sintoma se sobressai. Outras, um sintoma melhora e outro não”, explica Zugman. Os sintomas cognitivos estão relacionados com a dificuldade com pensamentos abstratos, dispersão, dificuldade em gerenciar diferentes estímulos.
De acordo com o médico, geralmente acontecem manifestações leves de sintomas negativos e cognitivos antes do aparecimento dos sintomas positivos. “As pessoas vão aceitando e não procuram ajuda. A procura acontece quando há sinais evidentes”, afirma.
Saúde pública
Os pacientes de transtornos mentais, entre eles a esquizofrenia, têm dificuldades em conseguir tratamento na rede pública de saúde. Segundo o médico psiquiatra Antônio Geraldo, presidente da Associação Psiquiátrica de Brasília, o acesso já é ruim para os doentes mentais, mas piora nos casos dos esquizofrênicos. “O paciente com esquizofrenia precisa ter um controle mensal, ter um medicamento diário para o resto da vida. Quando enfrenta uma fase aguda, ele precisa de um tratamento especial. E no SUS é preciso esperar meses para marcar uma consulta”, critica.
Fonte: http://www.parana-online.com.br

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Quando o amor de pai já não basta - Loucura, a Busca de um Pai pelo Insano Sistema de Saúde Mental


NUNCA É DEMAIS "Se eu não estiver sempre ao lado de
meu filho, aí, sim, Mike ficará de fato muito doente", diz Earley

O escritor americano Pete Earley, de 57 anos, é especialista no sistema judiciário de seu país. De seus doze livros, o último é inspirado em uma experiência pessoal. Recém-lançado no Brasil, Loucura, a Busca de um Pai pelo Insano Sistema de Saúde (Artmed; 375 páginas) traz a história de seu filho Mike, portador de transtorno bipolar. Além do relato sensível de um pai diante da doença de um filho, Earley faz críticas ao modo como as leis americanas tratam os doentes mentais. Por causa de uma reforma ocorrida nos anos 60, dezenas de milhares de leitos psiquiátricos deixaram de existir e a maioria dos doentes ficou sem a alternativa do tratamento hospitalar – situação pela qual também passam os brasileiros. A convite do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo, Earley participou, na semana passada, de uma série de debates sobre o assunto. Antes de embarcar para o Brasil, ele falou à repórter Adriana Dias Lopes, de sua casa em Fairfax, no estado da Virgínia.

O DIAGNÓSTICO Os primeiros sintomas surgiram em 2000, quando Mike tinha 22 anos e estudava pintura na escola de artes do Pratt Institute, em Nova York. Num fim de semana, ele me ligou para dizer que tinha levado cinco mendigos ao McDonald’s porque queria conversar com eles. Logo depois, Mike falou que não tinha certeza se de fato havia feito aquilo ou apenas sonhado. Levei-o ao psiquiatra. Foi então que ouvi do médico que, se eu fosse um sujeito de sorte, Mike estaria usando drogas. Fiquei chocado com aquelas palavras. Mas hoje as entendo perfeitamente. Naquele momento, não sabia nada sobre doenças mentais e como elas podem ser cruéis.


A PRIMEIRA PRISÃO Após o episódio do McDonald’s, Mike foi a mais duas consultas psiquiátricas, mas depois desistiu. Disse que não era louco e que apenas precisava se alimentar melhor. Ele me parecia bem e, naquele momento, não me dei conta da gravidade do problema. Durante nove meses, chegamos até a pensar que a história do McDonald’s tinha sido uma casualidade qualquer. No entanto, certo dia, Mike teve um surto gravíssimo. Ele invadiu uma casa quando não havia ninguém, foi até o banheiro e tomou um banho de espuma. Os donos do imóvel infelizmente decidiram processá-lo, mesmo sabendo que se tratava de um doente mental em surto. Eles insistiram em acusá-lo como autor de um delito grave. Tudo pareceu ser desgraçadamente injusto naquele momento. A acusação poderia marcá-lo para sempre como um criminoso e teria sérias repercussões, atrapalhando sua vida profissional. Uma policial conseguiu convencer o casal a amenizar a acusação. Um ano depois da absolvição do meu filho, essa policial foi morta por um jovem de 18 anos, vítima de problemas mentais.


NENHUM CUIDADO É EXCESSIVO Até hoje me aconselham a não insistir para que meu filho se cuide. Muitos acreditam que, se eu deixá-lo bater cabeça, Mike finalmente entenderá que tem de seguir o tratamento de forma regular. Essas pessoas não percebem que "bater cabeça", no caso do meu filho, pode significar o suicídio – 40% dos bipolares tentam se matar. O paciente acredita realmente que pode ficar bem sem medicação – essa é outra característica da doença. Se eu não estiver sempre ao seu lado, aí, sim, Mike ficará de fato muito doente. Será que essas pessoas falariam algo semelhante se ele fosse portador de síndrome de Down, por exemplo? Os pais de uma criança com Down nunca são criticados por advogar por seu filho. E tanto Down quanto transtorno bipolar são distúrbios cerebrais. Em relação aos doentes mentais, nenhum cuidado é excessivo. Meu filho tem uma doença. Uma doença que afeta seu cérebro e rouba sua capacidade de decisão.

O SOFRIMENTO MAIOR A pior coisa para um pai ou para uma mãe é não poder resolver o problema de um filho. Como pais, estamos habituados a amar e proteger nossas crianças. Mas, quando uma delas tem um transtorno mental, nosso amor não é mais suficiente. Já senti raiva, já senti frustração e já chorei por causa de Mike. É horrível olhar para o rosto de meu filho e perceber que, nos momentos de crise, é como se eu não fosse seu pai.


PUNIÇÃO E TRATAMENTO Não há nada de humanitário em impedir que um paciente seja tratado contra sua própria vontade, a menos que ele represente um risco para outra pessoa. Dessa forma, a lei pune meu filho em vez de ajudá-lo. O sistema de saúde americano diz que não há nada a ser feito até que meu filho se torne perigoso. Ao mesmo tempo, o sistema penal determina que, se ele se tornar perigoso, poderá prendê-lo. É preciso entender definitivamente uma questão elementar sobre doenças mentais: elas roubam das pessoas a capacidade de tomar decisões inteligentes. O mais frustrante nessa história toda é que sabemos como ajudar esses doentes. Cerca de 70% deles se beneficiam da medicação disponível. Mas, com as leis atuais, em vez de lhes dar ferramentas para que levem uma vida razoavelmente normal, eles são acusados de preguiçosos, viciados, bêbados ou vagabundos. Prefere-se culpá-los a ajudá-los.


O SISTEMA DE SAÚDE IDEAL Nos Estados Unidos, ninguém pode ser mantido confinado involuntariamente por mais de 72 horas sem ter o direito de comparecer perante um juiz com um advogado, à exceção dos autores de delitos extremamente graves, como assassinato. Nessa audiência, o juiz decide se a pessoa deve ou não ser levada a um hospital contra a própria vontade. Os tribunais americanos entendem, por exemplo, que um esquizofrênico que come seu próprio excremento não pode ser detido em um hospital porque comer fezes não é um ato perigoso. Do meu ponto de vista, o correto seria que o tribunal nomeasse três psiquiatras sem relação com o paciente para que eles opinassem sobre a necessidade ou não de internação. Meu filho acredita que o ex-presidente George W. Bush estava por trás dos atentados de 11 de setembro em Nova York. Essa é a sua opinião política com a qual posso não concordar. Mas, quando ele me diz que pode voar ou que não sou seu pai, está claro que é doente e precisa de ajuda.


O FUTURO Mike estava indo bem quando publiquei o livro, em 2006. Mas há pouco mais de um ano ele teve duas crises graves. Tal como ocorreu em tantas outras ocasiões, havia parado de tomar a medicação. Numa das vezes, ficou com medo de que eu chamasse a polícia e saiu de casa. Foi dirigindo da Virgínia até a Carolina do Norte (270 quilômetros de distância). No meio do caminho, ele me ligou dizendo que ouvia vozes que lhe garantiam que morreria se saísse do carro. Mike se recusava a falar onde estava. Consegui convencê-lo a voltar para casa e tomar os remédios. No caso do meu filho, os medicamentos levam três semanas para começar a fazer efeito. Pouco tempo depois do episódio do carro, ele teve outra crise. Mike saiu de casa nu e foi pego pela polícia mais uma vez. Quero o que todo pai quer para seu filho: um bom trabalho, uma família e felicidade. Mas tudo isso é difícil para Mike. Ele está sem trabalho, não é casado e tem poucos amigos. Minha prioridade é mantê-lo bem. Mike tem sorte, porque tem irmãos que cuidarão dele quando eu e sua mãe não estivermos mais aqui.

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