sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Semana do Servidor no STJ: saúde é o que interessa!

STJ - O Tribunal da Cidadania


Semana do Servidor no STJ: saúde é o que interessa!

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) promove de 20 a 26 de outubro a Semana do Servidor para marcar as comemorações pelo Dia do Servidor Público, em 28 de outubro.

Todas as secretarias do tribunal estão envolvidas nas ações para movimentar a semana. Na programação: lazer, cultura, saúde, educação financeira, música e muito mais para homenagear os que trabalham no Tribunal da Cidadania. O pontapé inicial será no dia 20, sábado, às 09h, com a 9ª Corrida do Judiciário.

Já no dia 22, a Secretaria de Serviços Integrados de Saúde (SIS) do STJ vai promover um chat para o público interno do tribunal. O médico Alberto Carlos Zaconeta, da Seção de Assistência Médica do tribunal, vai esclarecer dúvidas sobre o câncer de mama. O bate-papo virtual, das 15h30 às 17h, reforça o movimento mundial Outubro Rosa, em prol da luta contra esse tipo de câncer. Ao fazer perguntas, o internauta poderá se identificar ou não.

A secretaria também vai promover oficinas para o controle do estresse, além de um evento sobre saúde mental, como explica o médico Andral Codeço Filho, coordenador de Saúde Ocupacional e Prevenção do STJ.

“Teremos durante todos os cinco dias da Semana do Servidor mini oficinas sobre gerenciamento de estresse, em que as inscrições para essas mini oficinas serão prévias, através da recepção da SIS – é só ligar para o ramal da recepção da SIS e se inscrever. E um outro ponto importante será um talk-show a ser realizado no dia 23, terça-feira, às 17h, que é interessante, é uma forma diferente de dar informação. O tema desse talk-show será sobre saúde mental. Nós temos uma tendência muito grande de falar em prevenção de doenças do corpo. E como evitar patologias relacionadas à mente? Ela é tão importante quanto a do corpo!”

O talk show sobre saúde mental à ótica da Psiquiatria e da Psicologia contará com o presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria, Antonio Geraldo da Silva, e com uma psicóloga representante da clínica Anankê. O mediador será o secretário de Comunicação do STJ, Armando de Araújo Cardoso.
FONTE: http://www.stj.gov.br/portal_stj/objeto/texto/impressao.wsp?tmp.estilo=&tmp.area=448&tmp.texto=107358

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Transtorno bipolar não tratado prejudica o cérebro

Transtorno bipolar não tratado prejudica o cérebro


Chris Bertelli , de Natal (RN)*.
A cada crise de mania ou depressão vivenciada pelo paciente bipolar, importantes partes do cérebro são danificadas. Repetidas ocorrências podem levar a danos muitas vezes irreversíveis.

“O transtorno bipolar é uma doença tóxica, ou seja, são liberadas toxinas que atuam na destruição dos neurônios, levando a perda de capacidade mental”, explica Angela Miranda Scippa, psiquiatra e presidente da Associação Brasileira de Transtorno Bipolar (ABTB).

A crise pode mexer como o equilíbrio do organismo, aumentando o estresse oxidativo em todo o corpo e agravar a doença em si.

“Cada episódio faz com que a doença piore um pouco”, alerta Flavio Kapczinski, psiquiatra e pesquisador da Universidade federal do Rio grande do Sul (UFRGS).

“A cada cinco quadros depressivos, há uma perda de 10 a 20% no hipocampo”, quantifica Fabio Gomes, psiquiatra e professor da Universidade Federal do Ceará. O hipocampo é uma estrutura localizada no lobo temporal do cérebro, responsável principalmente pela memória e pela cognição. Nesses casos, por exemplo, os resultados são a falta de concentração e dificuldade na leitura.

“Muitas mudanças reversíveis podem gerar uma grande mudança irreversível”, diz Kapczinski.

Os danos no cérebro podem ser maiores ou menores, dependendo da intensidade e duração dos sintomas e da crise em si. “É como ter um corte no braço. Se você agir logo, pode reduzir as chances de infecção e deixar uma cicatriz menor. Cada episódio de mania ou depressão deixa uma espécie de cicatriz”, relata Angela.

Cada crise gera também um desgaste no corpo. Diversos estudos já demonstraram que a mortalidade entre os pacientes não tratados é maior do que aqueles em tratamento.

“Os bipolares não tratados morrem em média 20 anos antes da população em geral”, alerta Kapczinski.

Além do alto índice de suicídio – estimativas da ABTB apontam que até 50% dos portadores da doença tentam o suicídio pelo menos uma vez na vida e 15% realmente se suicidam – há também uma incidência maior de comorbidades como doenças cardiovasculares e câncer, o que aponta para um deterioração progressiva e consequente agravamento do quadro, que pode até levar à morte.

“O bipolar pode ficar dois anos apresentando sequelas de uma crise ou, em alguns casos, nunca se recuperar. Sem tratamento, as crises vão piorando e as sequelas se acumulando”, completa Antonio Geraldo da Silva, presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). Por isso, o diagnóstico e o tratamento precoce dessa doença crônica são tão importantes.

Atualmente, os pacientes levam em média 10 anos para serem diagnosticados com transtorno bipolar. O desconhecimento e o preconceito e sobre esse transtorno do humor são os principais motivos que levam à demora. Na tentativa de reverter o quadro, a Associação Brasileira de Psiquiatria lançou esta semana, em Natal (RN), durante o Congresso Brasileiro de Psiquiatria, uma campanha nacional de alerta sobre a doença, que atualmente afeta 2,2% da população brasileira.

“As pessoas não se tratam porque não sabem o que tem, não entendem a doença, não conhecem seu prognóstico. É possível identificar os primeiros sinais e saber que assim que eles aparecem deve-se ir ao médico para evitar uma crise”, diz Antonio Geraldo.

Os principais sintomas do transtorno bipolar são irritação e agitação, depressão, insônia, sentimento de êxtase, fala rápida, distração, alegria exagerada, excitação sexual exacerbada, perda do apetite e pensamentos suicidas.

“Mas não são alterações comuns de humor, como a que estamos acostumados a vivenciar. O comportamento muda, a pessoa age diferente do que costuma ser e os sintomas se apresentam durante sete dias, em média. Parentes, companheiros e amigos são os primeiros a notar”, esclarece Angela.

A doença normalmente se manifesta pela primeira vez na adolescência, mas a pessoa pode apresentar os sintomas em qualquer idade.

“O ritmo biológico desregulado, a privação do sono, ou um evento estressante podem desencadear uma crise. A instabilidade que se instala não é exclusivamente de humor, mas também de funções biológicas como pensamento, metabolismo e ritmo. O humor é somente a que mais aparece”, explica Teng Chei Tung, psiquiatra do Hospital das Clínicas, em São Paulo.

Existem dois tipos mais comuns de transtorno bipolar: o 1 e 2. O primeiro é caracterizado por quadros de euforia e mania intensas, ideias de grandeza, inquietação e comportamento suicida. O segundo apresenta quadro mais leve na intensidade com mania leve, costuma ser falante, tem problemas para dormir e costuma ser agitado.

“Esse é o que passa mais despercebido na sociedade e o mais difícil de ser diagnosticado”, afirma Angela.

O tratamento mais adequado para a doença inclui psicoterapia, medicamentos para regular o humor e psicoeducação (conscientizar o bipolar e a família sobre o transtorno e ajudá-los a identificar as crises e agir).

Os médicos são unânimes em afirmar que os remédios não criam dependência química e ressaltam que eles são necessários e indispensáveis. O tratamento deve ser seguido para toda a vida.

“O objetivo é não só controlar as crises, mas evitar que elas apareçam”, ressalta Antonio Geraldo.

* A repórter viajou a convite da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP)

Fonte:
http://www.correiodemocratico.com.br/2012/10/12/transtorno-bipolar-nao-tratado-prejudica-o-cerebro/

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Presidente nacional da Cruz Vermelha assina convênio com ABP

Presidente nacional da Cruz Vermelha assina convênio em Natal


O novo presidente da Cruz Vermelha Brasileira, Nício Brasil Lacorte, visita o Rio Grande do Norte pela primeira vez depois que assumiu o cargo. Além de visitar a Filial da Cruz Vermelha no Estado, Lacorte participou da 30ª edição do Congresso Brasileiro de Psiquiatria, que aconteceu em Natal. Lacorte e Antonio Geraldo da Silva, presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria, assinaram nesta quinta-feira convênio de cooperação.

FONTE: http://jornaldehoje.com.br/tindolele-lancou-o-seu-verao-2013/



terça-feira, 16 de outubro de 2012

Saúde Mental

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Transtorno bipolar não tratado prejudica o cérebro

Transtorno bipolar não tratado prejudica o cérebro


A cada crise de mania ou depressão vivenciada pelo paciente bipolar, importantes partes do cérebrosão danificadas. Repetidas ocorrências podem levar a danos muitas vezes irreversíveis.

“O transtorno bipolar é uma doença tóxica, ou seja, são liberadas toxinas que atuam na destruição dos neurônios, levando a perda de capacidade mental”, explica Angela Miranda Scippa, psiquiatra e presidente da Associação Brasileira de Transtorno Bipolar (ABTB).

A crise pode mexer como o equilíbrio do organismo, aumentando o estresse oxidativo em todo o corpo e agravar a doença em si.

“Cada episódio faz com que a doença piore um pouco”, alerta Flavio Kapczinski, psiquiatra e pesquisador da Universidade federal do Rio grande do Sul (UFRGS).

“A cada cinco quadros depressivos, há uma perda de 10 a 20% no hipocampo”, quantifica Fabio Gomes, psiquiatra e professor da Universidade Federal do Ceará. O hipocampo é uma estrutura localizada no lobo temporal do cérebro, responsável principalmente pela memória e pela cognição. Nesses casos, por exemplo, os resultados são a falta de concentração e dificuldade na leitura.

“Muitas mudanças reversíveis podem gerar uma grande mudança irreversível”, diz Kapczinski.

Os danos no cérebro podem ser maiores ou menores, dependendo da intensidade e duração dos sintomas e da crise em si. “É como ter um corte no braço. Se você agir logo, pode reduzir as chances de infecção e deixar uma cicatriz menor. Cada episódio de mania ou depressão deixa uma espécie de cicatriz”, relata Angela.

Cada crise gera também um desgaste no corpo. Diversos estudos já demonstraram que a mortalidade entre os pacientes não tratados é maior do que aqueles em tratamento.

“Os bipolares não tratados morrem em média 20 anos antes da população em geral”, alerta Kapczinski.

Além do alto índice de suicídio – estimativas da ABTB apontam que até 50% dos portadores da doença tentam o suicídio pelo menos uma vez na vida e 15% realmente se suicidam – há também uma incidência maior de comorbidades como doenças cardiovasculares e câncer, o que aponta para um deterioração progressiva e consequente agravamento do quadro, que pode até levar à morte.

“O bipolar pode ficar dois anos apresentando sequelas de uma crise ou, em alguns casos, nunca se recuperar. Sem tratamento, as crises vão piorando e as sequelas se acumulando”, completa Antonio Geraldo da Silva, presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). Por isso, o diagnóstico e o tratamento precoce dessa doença crônica são tão importantes.

Atualmente, os pacientes levam em média 10 anos para serem diagnosticados com transtorno bipolar. O desconhecimento e o preconceito e sobre esse transtorno do humor são os principais motivos que levam à demora. Na tentativa de reverter o quadro, a Associação Brasileira de Psiquiatria lançou esta semana, em Natal (RN), durante o Congresso Brasileiro de Psiquiatria, uma campanha nacional de alerta sobre a doença, que atualmente afeta 2,2% da população brasileira.

“As pessoas não se tratam porque não sabem o que tem, não entendem a doença, não conhecem seu prognóstico. É possível identificar os primeiros sinais e saber que assim que eles aparecem deve-se ir ao médico para evitar uma crise”, diz Antonio Geraldo.

Os principais sintomas do transtorno bipolar são irritação e agitação, depressão, insônia, sentimento de êxtase, fala rápida, distração, alegria exagerada, excitação sexual exacerbada, perda do apetite e pensamentos suicidas.

“Mas não são alterações comuns de humor, como a que estamos acostumados a vivenciar. O comportamento muda, a pessoa age diferente do que costuma ser e os sintomas se apresentam durante sete dias, em média. Parentes, companheiros e amigos são os primeiros a notar”, esclarece Angela.

A doença normalmente se manifesta pela primeira vez na adolescência, mas a pessoa pode apresentar os sintomas em qualquer idade.

“O ritmo biológico desregulado, a privação do sono, ou um evento estressante podem desencadear uma crise. A instabilidade que se instala não é exclusivamente de humor, mas também de funções biológicas como pensamento, metabolismo e ritmo. O humor é somente a que mais aparece”, explica Teng Chei Tung, psiquiatra do Hospital das Clínicas, em São Paulo.

Existem dois tipos mais comuns de transtorno bipolar: o 1 e 2. O primeiro é caracterizado por quadros de euforia e mania intensas, ideias de grandeza, inquietação e comportamento suicida. O segundo apresenta quadro mais leve na intensidade com mania leve, costuma ser falante, tem problemas para dormir e costuma ser agitado.

“Esse é o que passa mais despercebido na sociedade e o mais difícil de ser diagnosticado”, afirma Angela.

O tratamento mais adequado para a doença inclui psicoterapia, medicamentos para regular o humor e psicoeducação (conscientizar o bipolar e a família sobre o transtorno e ajudá-los a identificar as crises e agir).

Os médicos são unânimes em afirmar que os remédios não criam dependência química e ressaltam que eles são necessários e indispensáveis. O tratamento deve ser seguido para toda a vida.

Saúde

“O objetivo é não só controlar as crises, mas evitar que elas apareçam”, ressalta Antonio Geraldo.
FONTE: http://www.viacomercial.com.br/2012/10/11/transtorno-bipolar-nao-tratado-prejudica-o-cerebro/

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

TDAH

Por: IMPRENSA

Fonte: Revista Viva Saúde

O aumento da venda de medicamentos como o metilfenidato preocupa especialistas e coloca em questão o seu uso abusivo.


Desatenção, inquietude e impulsividade são os principais sintomas de quem sofre de transtorno de déficit de atenção e hiperatividade, o TDAH. Trata-se de um transtorno neurobiológico, de causas genéticas, que aparece na infância e frequentemente acompanha o indivíduo por toda a sua vida. Suas causas ainda estão sendo estudadas, mas podem estar relacionadas à hereditariedade, uso de determinadas substâncias durante a gestação, consequência de partos problemáticos, exposição a chumbo ou problemas familiares, segundo a Associação Brasileira do Déficit de Atenção. Um dos principais medicamentos utilizados para o tratamento de pacientes com o TDAH é o metilfenidato, desde o ano de 1955.

De maneira simplificada, o mais notável resultado desse medicamento é aumentar a concentração e atenção do paciente que sofre de TDAH, lista terapia é o resultado de pesquisas iniciadas há cerca de 20 anos, quando pesquisadores estavam em busca de alguma substância que tivesse efeito antidepressivo e estimulante, principalmente para estados de fadiga. Esse princípio ativo existe em dois tipos de formulação: a de liberação imediata, que dura em média de 3 a 4 horas, e a de liberação longa, que dura de 6 a 8 horas.

Os efeitos colaterais mais comuns são a redução de apetite, insónia e dor de cabeça. E contraindicado para gestantes, pacientes com menos de 5 anos, que tenham problemas cardiovasculares, epiléticos ou que apresentem tiques motores graves. Previsões do Instituto Brasileiro de Defesa dos Usuários de Medicamentos (Idum) dizem que, em tese, nos últimos 11 anos, as vendas desse remédio aumentaram cerca de 3.200%. Esse número coloca o Brasil como o segundo maior consumidor do medicamento no mundo, perdendo apenas para os EUA. Daí a preocupação dos pais, educadores c médicos - que querem entender as razões desse aumento.

Diagnose difícil?

Outro ponto bastante discutido em relação ao TDAH é o diagnóstico. De acordo com uma pesquisa realizada por USP, Unicamp e Albert Einstein College of Medicine, quase 75% dos jovens brasileiros que utilizam esse tipo de remédio não foram diagnosticados corretamente. Como não há um exame físico que comprove o transtorno, ele é feito com base nos relatos dos pacientes e de pessoas com quem ele convive, além de alguns testes a partir da fala e escrita. "Não há duvidas sobre a necessidade de um aprimoramento desses critérios, por isto é necessário que mais pesquisas sejam feitas e publicadas em revistas científicas indexadas, expostas em congressos para serem debatidas", afirma Wimer Bottura, psiquiatra e membro do comitê multidisciplinar de adolescência da Associação Paulista de Medicina (APM). Tanto a doença quanto os medicamentos que a tratam são alvo de constantes questionamentos e discordâncias. Há quem diga até que o TDAH não existe e foi uma invenção da indústria farmacêutica para ganhar dinheiro.


Outros afirmam que há estudos que comprovam as diferenças no funcionamento cerebral de uma pessoa normal e de uma pessoa que sofre com o transtorno e que, também por isso, é indispensável o seu uso já que o corpo precisa receber uma substância que não produz sozinho. Para entender os argumentos em torno dessa polemica, conversamos com especialistas a favor e contra o uso de metilfenidato.

A corrente a favor

Assim como para quem tem miopia os óculos com o grau certo ajudam a enxergar melhor, o metilfenidato ajuda quem tem TDAH a colocar o foco e a concentração no eixo. Essa é a definição de Marcelo Gomes, neurologista pediátrico e diretor médico da Novartis. Há 20 anos trabalhando com pacientes que sofrem do transtorno, Gomes acredita que o aumento no número de diagnósticos se deve a uma maior informação e divulgação da doença.

Questionado sobre esse elevado índice de diagnósticos de TDAH, Wimer Bottura, da APM, diz: "não tenho dúvida de que há muito mais gente precisando ser medicada do que sendo medicada desnecessariamente. Claro que precisamos de mais pesquisas, porque o melhor medicamento até o momento foi criado há 60 anos. Sabemos muito pouco, ainda".

Outro ponto levantado por Gomes é de que a medicação é feita de maneira responsável e gradativa, com acompanhamento médico e multidisciplinar. "Sempre que é feito um diagnóstico de TDAH nós começamos com uma dosagem mais baixa do que acreditamos ser o ideal para aquela pessoa, para que o organismo se acostume e responda aos efeitos do medicamento. Se os efeitos foram os esperados, a dosagem é constante e não precisa aumentar ao longo do tempo."

O risco do vício

O argumento de que o remédio vicia e faz que o corpo queira doses cada vez maiores não procede, segundo o neurologista. Bottura completa dizendo que "as pesquisas mostram que o uso do metilfenidato é seguro ao longo do tempo, e que as pessoas portadoras do transtorno não tratadas têm pior qualidade de vida". Mas ambos concordam: não é porque a criança é agitada que ela sofre de TDAH. Como na maioria das doenças e transtornos neuropsiquiátricos, o diagnóstico é feito com base em relatos do paciente e das pessoas com quem ele convive.

E Gomes dá a dica: "Um diagnóstico de TDAH não é dado em uma primeira consulta. E preciso muita conversa e testes que comprovem o transtorno". Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o percentual de TDAH no mundo é de 5,4% — "o que mostra que ainda há muitos pacientes não diagnosticados", acredita Antônio Geraldo da Silva, psiquiatra e presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). Bottura sugere que no caso de crianças que aparentemente sofram de TDAH, o primeiro passo é "que os pais se tratem primeiro, pois nunca há um caso único na família. Muitas vezes a criança tem sintomas sugestivos de TDAH decorrentes do convívio com pais que têm o transtorno. Nestes casos, o medicamento não funciona porque a criança não tem o transtorno, tem só o comportamento. Quando tem realmente o transtorno, é melhor tomar o medicamento, pois não é força de vontade que resolve".

A voz destoante

"Eu sou contra" - a afirmação enfática é de Maria Aparecida Moyses, pediatra e professora da Unicamp. "O metilfenidato é um estimulante usado para acalmar e faz isso pelo efeito zumbi, uma toxicidade", diz. Para a médica, os sintomas do medicamento vão bem além dos enumerados pelos especialistas favoráveis ao uso de Ritalina.


O risco de morte súbita inexplicada em adolescente é estimado em 10 a 14 vezes maior entre aqueles que tomam o remédio, segundo uma pesquisa de 2009 da Food and Drugs Administration (FDA) e do National Instituto of Mental Health (NIMH). "Não é desprezível. Além disso, interfere no sistema endócrino, na secreção dos hormônios de crescimento e dos sexuais. E uma substância com o mesmo mecanismo de ação e as mesmas reações adversas da cocaína e das anfetaminas", alerta.

Segundo a pediatra, consta em qualquer livro de farmacologia e vários trabalhosmostram que existe um risco de dependência química muito grande, além de uma dependência psíquica, porque a pessoa se sente mais ativa. Maria Aparecida conta que várias pesquisas mostram que, quando a criança começa a tomar o medicamento aos 4 anos e o retiram aos 18, existe uma tendência muito grande de drogadição por substâncias mais pesadas. "Se a criança está usando um estimulante desde os 5,6 anos, ela vai buscar outra droga quando interromper este uso", diz.

Domando a inquietude

Uma das questões da pediatra é: o remédio foca a atenção em quê? "E aleatório. Ao conter as atividades cerebrais de tal modo que você não se distraia, esta única coisa em foco é eleita ao acaso. Não é uma substância que te faz atentar no estudo, diferente do que muitos pais acreditam. Não existe um remédio que deixe a pessoa mais inteligente." A médica acredita que a sociedade é muito incomodada com os questionamentos e abafa isso via substância química, numa tentativa artificial de domar a inquietude e a curiosidade naturais da infância - fase com maior número de diagnósticos de TDAH. "Além disso, há o interesse financeiro das indústrias farmacêuticas. A forma como eu entendo isso é que os especialistas estão sendo treinados para identificar futuros consumidores de metilfenidato", diz.

A saída seria um tratamento multidisciplinar que consiga compreender o contexto em que o paciente está inserido e procure entender os motivos que levam à falta de concentração, ansiedade e hiperatividade - que muitas vezes não são suficientes para definir o diagnóstico de TDAH. "Crianças com 4 anos mexem no computador com várias janelas abertas ao mesmo tempo. Quando elas chegam à escola, queremos que elas façam uma coisa só e não questionem. Queremos crianças criativas, ótimas e submissas! Elas questionam, querem saber o porquê. O 'não' não basta mais para elas e nós temos que aprender a lidar com isso sem o refugio do medicamento", finaliza Maria Aparecida.

Como age o metilfenidato

Trata-se de um estimulante do sistema nervoso central. A forma principal como ele atua é desconhecida, mas sabe-se que seus efeitos são mediados pelo bloqueio do mecanismo de receptação dos neurónios dopaminérgicos. Os resultados para os pacientes seriam maiores capacidades de concentração e foco.

Remédio para o cérebro

E quando o metilfenidato passa a ser usado por pessoas que não sofrem de TDAH, mas querem conseguir uma concentração maior e mais focada para melhorar o desempenho no trabalho ou no período de provas no colégio, por exemplo? Não são poucos os casos em que remédios prescritos para pessoas com o transtorno estão sendo utilizados por estudantes do ensino médio e de graduação. Segundo a empresa médica norte-americana IMS Health, a quantidade de prescrições de medicamentos para TDAH dada a pessoas de 10 a 19 anos de idade nos EUA aumentou 26% desde 2007, chegando a quase 21 milhões de prescrições por ano. E o que pais e professores estão descobrindo é que as crianças e adolescentes forjam os sintomas e fazem afirmações dentro dos consultórios médicos que as enquadrem no diagnóstico de TDAH, o que faz que tenham fácil acesso aos medicamentos, como o metilfenidato. Embora os especialistas favoráveis ao uso de metilfenidato por quem sofre de TDAH digam que a droga não produz efeitos em quem não sofre do transtorno, o aumento do consumo deste medicamento pelas crianças e adolescentes parece contrariar a afirmação. A situação preocupa pais e educadores, que não sabem ainda como lidar com o fato.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Profissionais de saúde pedem criminalização da psicofobia

Profissionais da área de saúde mental, em audiência na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH), solicitaram a inclusão de emenda ao projeto de reforma do Código Penal (PLS 236/12) para dar suporte a pessoas com esquizofrenia, bipolaridade, dislexia, autismo, ansiedade, transtornos alimentares e síndrome de Down. O tema do debate foi a criminalização da segregação de portadores de transtornos mentais, denominada de psicofobia.


Segundo o presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria, Antonio Geraldo da Silva, 55 milhões de brasileiros sofrem de transtornos mentais e não possuem respaldo governamental para se tratar.

— A maioria dos pacientes está morando nas ruas ou nas cadeias. E não temos campanhas de prevenção. Os gastos com a saúde mental são cada vez menores — afirmou Silva, ressaltando que o preconceito é preponderante na hora de o doente procurar tratamento e emprego.

— O paciente não se trata por receio de ser estigmatizado como louco. E chegam a pedir receitas sem identificação do psiquiatra, com medo de serem demitidos do trabalho — disse.

O senador Paulo Davim (PV-RN), que presidiu a reunião, já elaborou emenda ao projeto para estabelecer medidas e providências em casos de psicofobia.

Participaram também da audiência a presidente da Associação Brasileira do Déficit de Atenção, Iane Kestelman; a vice-presidente da Associação Brasileira de Transtornos Afetivos, Helena Maria Calil; e o conselheiro da Sociedade Brasileira de Neuropsicologia Daniel Fuentes.

(..)

Acrescento a matéria acima, o conceito de "psicofobia" que encontrei no Wikipedia, e pode ser útil, veja abaixo:

Psicofobia é medo, preconceito ou discriminação contra os doentes mentais. Ao longo da história doentes mentais foram acusados de ser possuídos pelos demônios ou o diabo ou de serem bruxos ou demônios ou servos do diabo. Nos tempos modernos, quando foi desenvolvida a psicologia verificou-se que essas pessoas tinham uma doença mental e não demônios ou quaisquer outras explicações acima mencionadas. O receio do doente mental ainda continua.

Contra o preconceito e estigma!

FONTE: http://tabipolar.blogspot.com.br/2012/09/bipolaridade-psicofobia-e-projeto-de-lei.html

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...