segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Direito integral à saúde é prioridade



Direito integral à saúde é prioridade
A internação involuntária de dependentes químicos é o tema da seção Polêmica da CH 295. O psiquiatra Antônio Geraldo da Silva defende que, diante da incapacidade do doente, cabe ao médico, à família e ao poder público garantir-lhe a melhor assistência.
Por: Antônio Geraldo da Silva
Publicado em 06/09/2012 Atualizado em 06/09/2012 - Fonte: http://cienciahoje.uol.com.br/revista-ch/2012/295/direito-integral-a-saude-e-prioridade/view
O presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria, Antônio Geraldo da Silva, defende que todo cidadão deve ter acesso ao melhor tratamento, o que pode acontecer no ambulatório, com internação parcial ou integral.

A sociedade brasileira espera, há vários anos, que o governo federal saia da inércia e passe a atuar de modo mais efetivo na atenção ao doente mental – e agora, especialmente, ao dependente químico. Uma luz mais forte surgiu no final de 2011, quando o governo anunciou um conjunto de ações para operacionalizar o Plano Integrado de Enfrentamento ao Crack e Outras Drogas, criado em maio de 2010. No entanto, a proposição midiática ainda não se tornou prática assistencial e preventiva.
Para esclarecer esse assunto, é necessário atentar para o que acontece hoje e avaliar o cenário dos problemas psicossociais que o Brasil enfrenta. Partimos do princípio definido pela Lei 10.216, de 2001, que estabelece os três tipos de internação em psiquiatria: a voluntária, involuntária e a compulsória. A primeira se dá quando o paciente concorda com a internação e tem a capacidade de decidir e de compreender a finalidade da internação.
A involuntária é aquela determinada contra a vontade do paciente, mas com o consentimento da família. Cabe ao médico informar ao Ministério Público, no prazo de 72 horas, a justificativa para esse tipo de internação. Já a compulsória é decidida pelo magistrado, após ouvir o parecer do psiquiatra. A justificativa habitual para a forma compulsória é o fato de o paciente representar risco para si ou para a coletividade.


A Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) não prioriza ou prestigia qualquer das formas de internação. O que a entidade defende é a aplicação da Lei 10.216, que dispõe sobre a proteção e os direitos das pessoas portadoras de transtornos mentais. Ela redireciona o modelo assistencial em saúde mental e determina que é direito de todo cidadão ter acesso ao melhor tratamento, o que pode acontecer no ambulatório, com internação restrita ao dia, à noite ou integral.
Cabe ao psiquiatra fazer a indicação do tratamento, já que esse profissional detém o conhecimento a respeito dos procedimentos mais efetivos para preservar a integridade e a vida da pessoa enferma
A ABP também defende que cabe ao psiquiatra fazer a indicação do tratamento, já que esse profissional detém o conhecimento a respeito dos procedimentos mais efetivos para preservar a integridade e a vida da pessoa enferma. É necessário que a sociedade entenda que as doenças mentais requerem atendimento diferenciado e não podem ser comparadas a outros males ou problemas de saúde mais conhecidos, como infarto do miocárdio, pneumonia, apendicite, insuficiência renal ou fraturas em geral, para citar alguns.
Os médicos indicam o melhor tratamento para o paciente, respaldados por evidências científicas de efetividade das opções terapêuticas. Cabe ressaltar que as questões sociais envolvidas em cada situação clínica devem ser resolvidas por assistentes sociais e as questões jurídicas por profissionais do direito.
O objetivo é garantir condutas clínicas eficazes, contando com os esforços integrados de equipes multidisciplinares. A ação dessas equipes deve estar focada no melhor tratamento dos doentes. São estes que estão em situação de risco e se espera que possam discernir os fatos e decidir pelo que, de fato, julguem ser o melhor. No entanto, diante da eventual incapacidade do paciente, cabe ao médico – juntamente com os familiares responsáveis e, por extensão, com o poder público – garantir a melhor atenção em saúde.
Atualmente, no Brasil, há uma demanda por atendimento psiquiátrico em todos os níveis e a rede especializada existente não é capaz de atender a essa necessidade. Com exceção dos hospitais psiquiátricos, os serviços atuais não têm sido avaliados sistematicamente em termos de eficácia, eficiência e efetividade, o que contribuiria para seu aprimoramento. Além disso, o país perdeu cerca de 90 mil leitos psiquiátricos nos últimos anos. Portanto, o poder público não apenas demonstra um marcado desinteresse em qualificar o atendimento existente, mas também fecha serviços psiquiátricos, demonstrando descaso para com a população carente de atenção em saúde nessa área.
Segundo Antônio Geraldo da Silva, o Brasil perdeu cerca de 90 mil leitos psiquiátricos nos últimos anos.

Outra grande preocupação para os psiquiatras é a transformação dos presídios em novos manicômios. Pacientes psiquiátricos que cometem delitos são somados aos presidiários que padecem de doenças mentais. Este é outro subproduto da desassistência crescente em psiquiatria: os presídios brasileiros, em seu conjunto, já abrigam mais de 60 mil doentes mentais graves.
Assim, lutamos exatamente pelo cumprimento da Lei 10.216. Essa norma legal precisa ser obedecida nos seus parâmetros reais, sem ser burlada por interpretações espúrias que embasam portarias equivocadas sobre a atenção em psicopatologia. É preciso evitar discursos ideológicos, que evidenciam grave conflito de interesses. Nós, psiquiatras, nos colocamos em oposição ao que se observa hoje: doentes mentais tornando-se moradores de rua, ao sabor da desassistência psiquiátrica. A ABP também se dispõe a colaborar para uma abordagem organizada de problemas como a disseminação do uso de cocaína em sua forma fumável, o crack.
Mais de 90% do trabalho psiquiátrico pode ser realizado em ambulatórios, com condições dignas de atendimento e com um melhor resultado para o paciente. A internação é o último recurso dentro de uma rede de atenção ao doente mental e, quando necessária, deve ser feita em local adequado, com qualidade comprovada e com resolutividade, ou seja, capacidade de resolução dos casos. Capacidade esta que é rotina no sistema privado e nos melhores centros acadêmicos do mundo. Lidamos com a vida e por isso buscamos a qualidade de vida da sociedade.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Emenda ao projeto do novo Código Penal pode criminalizar



Emenda ao projeto do novo Código Penal pode criminalizar






Profissionais da área de saúde mental participaram de uma audiência pública realizada nesta quarta-feira (29/08) no Senado Federal. O tema foi a criminalização da segregação de portadores de transtornos mentais, denominada de psicofobia, medida requerida pelos participantes.
No evento, eles pediram que fosse incluída uma emenda ao projeto de reforma do Código Penal, para que desse suporte às pessoas que sofrem de distúrbios como esquizofrenia, bipolaridade, dislexia, autismo, ansiedade, transtornos alimentares e síndrome de Down.
De acordo com a Agência Senado, a presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria, Antônio Geraldo da Silva, disse que 55 milhões de brasileiros sofrem de transtornos mentais e não possuem respaldo governamental para se tratar.
Participaram também da audiência a presidente da Associação Brasileira do Déficit de Atenção, Iane Kestelman; a vice-presidente da Associação Brasileira de Transtornos Afetivos, Helena Maria Calil; e o diretor da Sociedade Brasileira de Neuropsicologia, Daniel Fuentes Moreira.
Fonte: Fato Notório - http://www.fatonotorio.com.br/noticias/ver/9144/emenda-ao-projeto-do-novo-codigo-pena-pode-criminalizar-a-psicofobia/

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Profissionais da área de saúde mental reivindicam criminalização da Psicofobia



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Profissionais da área de saúde mental, em audiência pública nesta quarta-feira (29) na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH), solicitaram a inclusão de emenda ao projeto de reforma do Código Penal (PLS 236/2012) para dar suporte a pessoas que sofrem de distúrbios como esquizofrenia, bipolaridade, dislexia, autismo, ansiedade, transtornos alimentares e síndrome de Down. O debate teve como tema a criminalização da segregação de portadores de transtornos mentais, denominada de psicofobia, medida requerida pelos participantes.
Segundo o presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria, Antônio Geraldo da Silva, 55 milhões de brasileiros sofrem de transtornos mentais e não possuem respaldo governamental para se tratar.
- A maioria dos pacientes está morando nas ruas ou nas cadeias. E não temos campanhas de prevenção para isso. Os gastos com a saúde mental são cada vez menores – afirmou Antônio Geraldo.
Ainda segundo o presidente da ABP, o preconceito é preponderante na hora de o doente procurar tratamento e emprego.
- O paciente não se trata por receio de ser estigmatizado como louco. E chegam a pedir receitas sem identificação do psiquiatra, com medo de serem demitidos do trabalho – disse.
O senador Paulo Davim (PV-RN), que presidiu a reunião, já elaborou emenda ao projeto do novo Código Penal para estabelecer medidas e providências em casos de psicofobia.
- Nós estamos defendendo o que é justo – afirmou Davim.
Participaram também da audiência a presidente da Associação Brasileira do Déficit de Atenção, Iane Kestelman; a vice-presidente da Associação Brasileira de Transtornos Afetivos, Helena Maria Calil; e o diretor da Sociedade Brasileira de Neuropsicologia, Daniel Fuentes Moreira.
Fonte: http://www.boainformacao.com.br/2012/08/profissionais-da-area-de-saude-mental-reivindicam-criminalizacao-da-psicofobia/

Debate sobre medicamentos


O 3 a 1 debate a medicação psiquiátrica para crianças e adolescentes. Campanha lançada pelo Conselho Federal de Psicologia reacendeu debate a este respeito. Participam do programa a representante do Conselho Federal de Psicologia, Flávia Lemos, o presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria, Antônio Geraldo da Silva, e a PHD em Educação Infantil, Maria de Fátima Guerra de Sousa

sábado, 25 de agosto de 2012

Amor Patológico

O Amor Patológico ainda não é, oficialmente, uma doença mental. As dependências comportamentais estão entrando, progressivamente, no Manual de Estatística e Diagnóstico das Doenças Mentais, a DSM. Trata-se da bíblia dos transtornos mentais, reelaborada periodicamente pela Associação Americana de Psiquiatria. Na próxima edição, que sairá ainda este ano, a compulsão por jogos será registrada. “Aos poucos, a coleção de registros e a existência de um padrão farão com que os transtornos sejam incluídos no Manual”, diz Antônio Geraldo da Silva, presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria.

Desde a década de 80, a psicologia e medicina estão percebendo que, da mesma forma que há dependências químicas, de substâncias, há a dependência de determinados comportamentos.

A novidade é medicalização do transtorno. O reconhecimento do problema – que tem um padrão, daí ganhar um tratamento específico – é o primeiro passo para o processo de controle de atitudes que podem prejudicar vidas.No fundo de tudo, a busca do prazer.

O vício não é no jogo, na droga ou na pessoa – é no prazer. A explicação é neuroquímica: a paixão, como a droga, libera a dopamina no cérebro. É essa substância que causa a sensação de prazer, de conforto, de felicidade e bem-estar. Depois de experimentá-la, como viver sem ela? No caso do Amor Patológico, essa sensação é personificada.

Como viver sem aquele alguém ou com a ideia de que ele não nos ama como gostaríamos?
Quem sofre do Amor Patológico não consegue ter um relacionamento amoroso saudável. Seu foco obsessivo é o parceiro, a relação. Aceita um relacionamento destrutivo, tolera humilhações. Sofre com a falta de atenção do ser amado – real ou imaginária. Reage de forma desesperada à rejeição.
Tem necessidade de controle do outro – mesmo quando este já virou ex. Às vezes por toda a vida.
Fonte:http://www.precisofalar.com.br/forum/comportamento/amor-patologico-quando-o-amor-e-doenca

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Sobrinha revela que Chico Anysio sofria de depressão há 25 anos



Em artigo publicado no jornal Folha de S. Paulo nesta terça-feira (14), a psiquiatra Analice Gigliotti, sobrinha de Chico Anysio, revelou que o humorista se tratou contra depressão durante 25 anos. No ano passado, já com a saúde debilitada, Chico gravou um depoimento apresentado no Congresso Brasileiro de Psiquiatria, que lançou uma campanha contra o preconceito em torno da doença e do uso de medicamentos.

No depoimento, concedido ao psiquiatra Antônio Geraldo da Silva, presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), Chico falou sobre o impacto da doença em sua vida: " A depressão era "um demônio, um gás letal, ela entra e a pessoa não sente que está deprimida. Os outros é que descobrem".

O humorista, que morreu em março deste ano, também destacou a importância do uso de antidepressivos. "Depressão é um quadro que só se controla com remédio. O antidepressivo acertou a minha vida.

A psiquiatria é fundamental como o ar que eu respiro”. "Sem os remédios da psiquiatria, eu não teria feito 20% do que fiz."Chico mostrou ainda sua indignação contra a falta de políticas públicas voltadas à população de baixa renda. "O antidepressivo arrumou a minha vida. Temos de colocar esses remédios ao alcance dos pobres". "Se é possível ajudar e curar pessoas e isso não é feito, é crime. O governo tem esse dever. Não é favor colocar os remédios psiquiátricos ao alcance dos pobres, é obrigação. É dever do governo.

Remédios psiquiátricos precisam ser gratuitos para quem precisa, assim como já acontece com os soropositivos".Chico definiu como "criminoso" o preconceito contra as doenças mentais. "Achar que ir ao psiquiatra ainda é coisa de maluco é retrato do preconceito. Depressão é uma coisa, maluquice é outra", comparou.
FONTE: Rede TV - http://www.redetv.com.br/portal/entretenimento/noticia.aspx?cdNoticia=385993&cdEditoria=111&Title=Sobrinha-revela-que-Chico-Anysio-sofria-de-depressao-ha-25-anos

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

XI Jornada Brasiliense de Psiquiatria




XI Jornada Brasiliense de Psiquiatria
Tema Central: Ciência na Prática Clínica em Psiquiatria
Data: 24 e 25 de Agosto
Local: San Marco Hotel – Brasília/DF

02 CURSOS
Curso 1 - O que fazer e o que não fazer em aulas e palestras.
Curso 2- Novidades no diagnósticos nos tratamentos ansiosos e nos transtornos do humor (inclusive a desregulação severa do humor) em crianças e adolescentes.
13 CONFERÊNCIAS
Temas: Depressão, Dependência Química, Esquizofrenia, Estimulação Magnética Transcraniana, Transtorno de Humor Bipolar e muito mais.
Mais de 30 convidados – Profissionais renomados de todo o Brasil.
PEC-ABP Presencial – Programa de Educação Continuada da ABP - Primeira edição no Centro-Oeste
Acesse – www.apbr.com.br. Confira toda a programação!
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Realização e Promoção – APBr (61) 3443-1623

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