quinta-feira, 12 de julho de 2012

Votos e milhões

Votos e milhões
Autor(es): Tereza Cruvinel
Correio Braziliense - 08/07/2012


As campanhas continuam cada vez mais caras. O pleito de 2008 custou R$ 2 bilhões, 57% a mais que o de 2004

Os mesmos partidos que estão aí se engalfinhando na largada da campanha eleitoral, e ao longo dela vão trocar socos e pontapés, parecem ter feito acordos em algumas capitais e grandes cidades para apresentar aos tribunais estimativas de custos de campanha semelhantes e bastante folgadas, para não dizer superestimadas. Este rumor corrente no meio político encontra evidências nos registro das principais candidaturas. Em São Paulo, o tucano José Serra estimou o custo de sua campanha em R$ 98 milhões. O petista Fernando Haddad fixou o da sua em R$ 90 milhões. Os concorrentes estimaram custos pouco menores. No Rio, o prefeito Eduardo Paes (PMDB), candidato à reeleição, estimou gastos de R$ 25 milhões. Seus correntes Rodrigo Maia (DEM), Otavio Leite (PSDB), Freixo (PSol) e Aspásia Camargo (PV) projetaram custos de R$ 23 milhões. Em Belo Horizonte, o prefeito Marcio Lacerda (PSB) estimou que sua campanha custará R$ 35 milhões e Patrus Ananias (PT) fixou o custo da sua em R$ 20 milhões. Não deve ter havido clima para o conchavo financeiro. De todo modo, as campanhas continuam cada vez mais caras. O pleito de 2008 custou R$ 2 bilhões, 57% a mais que o de 2004, segundo dados do TSE. Ninguém duvida de que esta progressão aritmética será mantida este ano. Registradas as candidaturas e estimativas de gastos eleitorais, os partidos começam agora uma outra disputa, invisível para o eleitor, para ver quem arrecada mais. Desnecessário dizer que o caixa 2 vai comparecer e alimentar os "dutos" criados pelos "valérios" da vida.

Foi pensando nessas coisas que o deputado Henrique Fontana (PT-RS), relator da Comissão Especial da Reforma Política na Câmara, abordou o senador Aécio Neves no Congresso (antes ainda do barraco de Belo Horizonte entre PT, PSB e PSDB).

"Quero fazer um apelo ao provável candidato do PSDB a presidente em 2014: deixemos o caixa de campanha fora da disputa e vamos nos concentrarmos no debate das ideias e projetos para o país. Podemos garantir este salto de alta qualidade democrática aprovando o financiamento público de campanhas para 2014, como primeiro ponto de uma reforma política gradual."

Aécio, receptivo, pediu a proposta de Fontana para analisar.

Ela propõe o financiamento das campanhas unicamente com recursos de um fundo a ser criado para este fim, com verbas federais. Os fiscalistas se arrepiam, mas ainda vão entender que a União perde muito mais com a regra atual, que leva à recompensa dos doadores por meio da corrupção. O fundo poderia receber doações de pessoas físicas e jurídicas, mas não os partidos e candidatos. Se isso ocorrer, haverá punição administrativa, eleitoral e criminal. Recursos próprios (dos candidatos ricos) também ficam vedados. Só os partidos, com a quota recebida do fundo, realizariam gastos de campanha e prestariam contas à Justiça Eleitoral, com acompanhamento da sociedade pela internet. Fontana admite a contratação de cabos eleitorais remunerados, desde que sejam previamente registrados nos tribunais eleitorais. Apresenta uma fórmula mais palatável para os pequenos partidos na divisão dos recursos. Haveria uma divisão igualitária de 5% dos recursos entre todos os partidos registrados no TSE. Igualitariamente seriam divididos 10% do fundo entre os que tenham pelo menos um deputado federal e outros 10% entre os que tenham mais de 10 deputados federais. Os 65% restantes seriam divididos segundo o número de deputados federais ou estaduais (dependendo da eleição).

A proposta é para ser debatida e negociada. Mas, para vigorar em 2014, teria que ser aprovada no primeiro semestre do ano que vem. É tempo de a classe política enfrentar a mudança ou desistir dela, assumindo que gosta mesmo é do sistema nefasto que temos.

CPI da redundância
Esta CPI do Cachoeira já encontrou todo o serviço de investigação pesada realizado pela Polícia Federal e pelo Ministério Público. Cachoeira já está preso, a Delta já desmoronou, Demóstenes já está sendo cassado. O falatório que se ouve não trouxe nada além do apurado. Agora, aprovou novas convocações, que dificilmente trarão elementos novos. "Para mim, devíamos estar formulando contribuições para que os delitos descobertos não se repitam, seja por meio de novas leis ou regras administrativas", diz angustiado senador Walter Pinheiro (PT-BA). Ele teme que a CPI vire suco depois do recesso, quando entram em cartaz a campanha e o julgamento do mensalão.

Tesouros revelados
Um rico acervo artístico é inacessível à maioria dos brasileiros. Não está nos museus (já pouco frequentados), mas fechado em repartições públicas. Por exemplo, as Cenas brasileiras, de Cândido Portinari, que pertencem ao Banco Central e de lá nunca saíram. Seus 12 quadros, entre eles o Descobrimento do Brasil, poderão ser vistos no Congresso, na mostra Retratos da brasilidade. Aberta no dia 3, no Salão Nobre, vai até o dia 16. Já no Salão Negro, estará o óleo de Vítor Meirelles Primeira missa no Brasil, de 1859, que antes de vir a Brasília deixou apenas duas vezes o Museu Nacional de Belas Artes, no Rio. A mão diligente e discreta nessas iniciativas é a do chefe de gabinete da Presidência da Câmara, José Humberto de Almeida, com o apoio do presidente Marco Maia.

Psicofobia deveria ser crime
Poucos sabem que a palavra acima designa o preconceito contra o portador de doença mental, mais frequente entre nós que a homofobia, tão em voga. Segundo o Ministério da Saúde, 21% dos brasileiros sofrem de algum transtorno mental. O presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria, Antonio Geraldo da Silva, tenta convencer os senadores a incluir emenda a respeito no novo Código Penal.

Patíbulo
Elegante, o presidente do Senado, José Sarney, que já engoliu ofensas de Demóstenes Torres, diz apenas que ele enfrenta situação "desfavorável" na Casa. Torres deve contar com, no máximo, entre 10 e 14 votos contra sua cassação, marcada para acontecer na quarta-feira.

http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2012/7/8/votos-e-milhoes

quarta-feira, 11 de julho de 2012

XI Jornada Brasiliense de Psiquiatria com Preço Promocional até o final do mês

Saiba mais: www.apbr.com.br

terça-feira, 10 de julho de 2012

Novo Código Penal: início da luta contra o preconceito ao doente mental

O presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria se reuniu hoje (4/7) com o senador Paulo Davim (PV-RN). Na pauta os projetos da ABP e a luta da entidade para tornar crime a Psicofobia – preconceito contra os portadores de transtornos e deficiências mentais.
Antonio Geraldo da Silva mostrou ao parlamentar do Rio Grande do Norte dados do Ministério da Saúde que mostram que pelo menos 46 milhões de brasileiros tem problemas mentais, ou seja, 21% da população. Ele ressaltou que a ABP começou o trabalho contra o preconceito há sete meses quando lançou a campanha A Sociedade contra o Preconceito, durante o XXIX Congresso Brasileiro de Psiquiatria, realizado em novembro passado, no Rio de Janeiro.
O Presidente da ABP pediu o apoio do Senador para a proposição de uma emenda ao Código Penal – que começa a ser analisado no Senado – criminalizando a psicofobia. “Nossa causa tem o reconhecimento das entidades médicas – Conselho Federal de Medicina, Federação Nacional dos Médicos e Associação Médica Brasileira – e precisa da participação dos parlamentares brasileiros”, argumentou Antonio Geraldo.
O senador Paulo Davim disse que o momento é oportuno e que vai apresentar emenda criminalizando a psicofobia. “É o inicio de uma luta. Os doentes mentais têm direito a serem tratados com respeito e a hora é agora com a análise do anteprojeto do Código Penal. Se homofobia e xenofobia são considerados crimes de racismo, a psicofobia também precisa ser criminalizada”, completou o Senador.
Paulo Davim quer realizar uma audiência publica para discutir a psicofobia e pediu que a ABP indicasse os participantes do encontro.
O presidente da ABP disse que pelo menos três vertentes de pensamento devem participar da audiência: representantes de pacientes, o governo e a área médica. A audiência está prevista para acontecer em agosto, em Brasília.


Fonte: Associação Brasileira de Psiquiatria

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Depressão, cerca de 25% da população já teve, tem ou terá

Depressão, cerca de 25% da população já teve, tem ou terá
Debate com Antonio Geraldo da Silva, presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria e Miguel Chalub, psiquiatra e professor da UFRJ e Uerj.

Ouça: http://cbn.globoradio.globo.com/programas/show-da-noticia/2012/07/07/DEPRESSAO-CERCA-DE-25-DA-POPULACAO-JA-TEVE-TEM-OU-TERA.htm

sexta-feira, 6 de julho de 2012

XI JORNADA BRASILIENSE DE PSIQUIATRIA

Mais um evento com a marca APBr, garantia de atualização profissional com qualidade.



Data: 24 e 25 de Agosto de 2012

Local: Hotel San Marco - SHS Qd. 05, Bloco C Brasília - DF.

Informações: Mais um evento com a marca APBr, garantia de atualização profissional com qualidade.

Telefone: 61.3443-1623

e-mail: faleconosco@apbr.com.br

Site: www.apbr.com.br

terça-feira, 3 de julho de 2012

“Relaxa, vai passar, isso é temporário... Se você não diz isso sobre câncer, também não diga sobre depressão”

No desembarque do aeroporto JFK, em Nova York, no começo deste ano, o outdoor que recebia milhares de pessoas diariamente não trazia nenhuma bela foto da cidade ou mensagem de boas-vindas. O que os viajantes encontravam era uma enorme propaganda com a mensagem: “Relaxa, vai passar, isso é temporário... Se você não diz isso sobre câncer, também não diga sobre depressão”. A ironia desconcertante da publicidade reflete muito da imagem que alguns transtornos mentais ainda recebem por parte da sociedade: para alguns, um destempero; para outros, uma fraqueza. Mas a depressão é um transtorno mental dos mais graves e incapacitantes. Dentre as 10 principais causas de afastamento do trabalho em todo o mundo, cinco são decorrências de transtornos mentais. A depressão aparece em primeiro lugar.

Para 46 milhões de brasileiros, segundo dados do Ministério da Saúde, a depressão é uma realidade: 20% a 25% da população já teve ou tem depressão ao longo da vida. A incapacitação profissional, a falta de interesse e de motivação para participar de atividades sociais rotineiras e de ter prazer nas coisas de que gosta e com as pessoas que ama, transforma dramaticamente o cotidiano dessas pessoas, o de seus familiares e amigos, trazendo consequências devastadoras. Essa falta de capacidade de se relacionar tem efeitos profundos e duradouros, que dificultam a reinserção social dos que tentam se recuperar de um episódio de depressão.

Paradoxalmente, ao mesmo tempo em que a depressão e os demais transtornos mentais atingem a muitos brasileiros, o preconceito em torno a eles é crescente na sociedade. Já é hora de combater essa discriminação, como atualmente já se faz com os homossexuais, negros e mulheres. A expressão psicofobia expressa justamente o nefasto preconceito contra os doentes mentais e portadores de deficiência.

Se não se deve debochar ou subestimar de doenças como o câncer, conforme apontou o outdoor no aeroporto americano, também não há razão para as doenças mentais não serem encaradas com a seriedade que ela pede e seus portadores exigem. Há várias formas de preconceito, entre elas a própria negação da doença como algo menor ou passageiro. Como disse Albert Einstein, lamentando a triste época em que vivia, “é mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito”. Em pleno 2012, ideias preconceituosas devem ser combatidas com ainda mais veemência. É chegada a hora de a sociedade olhar com maturidade e respeito para os portadores de transtornos mentais.

Psicofobia é crime.

*ANTÔNIO GERALDO DA SILVA é psiquiatra e presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP).
Fonte: http://www.diariodecuiaba.com.br/detalhe.php?cod=413348&edicao=13345&anterior=1

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Psicofobia chega aos meios de comunicação

A discussão sobre o preconceito contra os doentes mentais finalmente chega aos meios de comunicação


No último domingo (23/06), o jornal O GLOBO publicou no primeiro caderno artigo assinado pelo presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria, Antonio Geraldo da Silva, sobre psicofobia, que é o medo, preconceito ou discriminação contra os doentes mentais.

O espaço reservado por um dos maiores jornal do país mostra a importância que o tema tem nos dias atuais e como influencia a nossa sociedade. Afinal, segundo dados do Ministério da Saúde, pelo menos 46 milhões de brasileiros tem problemas mentais – 25% da população. Dado alarmante que precisa de análise e comprometimento das autoridades, médicos e entidades para promover uma politica de saúde pública eficiente.

A ABP começou o trabalho contra o preconceito há mais de um ano quando do lançamento da campanha Sociedade contra o Preconceito, durante o XXIX Congresso Brasileiro de Psiquiatria, realizado em novembro passado, no Rio de Janeiro.

Personalidades como Cássia Kiss e Chico Anysio (in memorian) aderiram à causa.

O grande humorista deixou a piada de lado ao externar uma opinião que sensibilizou a todos que assistiram o depoimento gravado: ‘preconceito contra o doente mental é crime’.

O projeto Sociedade contra o Preconceito saiu do papel e das discussões cientificas e está ganhando as ruas e os noticiários. A ABP quer disseminar a ideia e unir todos contra um dos grandes crimes – ainda impune – que é a Psicofobia. “Somente juntos poderemos desmistificar e acabar de vez com o que é dito e pensado de forma errônea sobre os portadores de transtornos e deficiências mentais”, argumenta Antonio Geraldo.
Fonte: http://www.bairral.com.br/blog/2012/06/psicofobia-chega-aos-meios-de-comunicacao/

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...